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| Mostra de Cantautores da Música Potiguar - lançamento (Salão Nobre TAM) |
No ano passado, no último semestre, a música (Autoral)
potiguar passou por uma experiência um tanto atípica: estrelou o palco do
principal teatro público da capital com uma temporada onde quem brilhou foram
seus próprios artistas (cantores, compositores, intérpretes, instrumentistas
etc). O êxito foi total! Não
tem embora. Não tem senões. Todas as edições da Mostra de Cantautores da Música Potiguar
transcorreram dentro de um esquema profissional, com cachês, pontualidade,
direitos autorais, excelência artística e até público. Pois é! A proeza se deu
a partir de uma provocação feita pela Rede Potiguar de Música (RPM), uma
entidade informal que foi criada há década e meia em Natal/RN, que luta com
todas as forças para que justamente ações dessa natureza venham a consolidar a
estruturação de uma política pública para o segmento - no caso, após a
intervenção da Rede feita com o festival de duetos na mostra coletiva “Rede Potiguar
dá Música” (Oito da Noite), realizada em 1º de agosto de 2024. A partir dali, com a adesão da Fundação José Augusto
(TAM) e a parceria do Teatro Alberto Maranhão (TAM), foram se somando outros
vários esforços através do Núcleo de Produção Cultural Cooperada, que redundou
na concretização da Mostra no ano passado, composta de seis edições (julho a
dezembro/2025). Encerrada em meados do último mês do ano passado com o
decano de nossas canções, Mirabô Dantas, em bela tabela com a cantautora Sílvia
Sol, a Mostra de Cantautores marcou um golaço, com música feita por nós, tocada
por nós, aclamada por nós, instigada pelo coletivo que tornou possível a
viabilização dessa rica programação oferecida como um aperitivo do que pode ser
feito para que um programa dessa natureza não deixe de existir jamais em nossa
cidade, se inserindo no calendário cultural anualmente. Sim!, há o dilema da questão do público: o discurso é
o de que a população não prestigia sua própria produção musical, diferentemente
de outros tantos lugares, até próximos a nós. Mas não é bem assim. É mais correto
afirmarmos que são poucas as oportunidades em que a comunidade é estimulada a
este encontro, principalmente quando se trata de música autoral, apresentada em
palcos profissionais e com acesso facilitado. Para a Mostra, conseguimos trazer
a cada edição um grande contingente de alunos da rede pública de ensino, o que
atendeu perfeitamente a um de nossos propósitos, que é o de alcançar uma melhor
e maior interlocução com o campo da educação, contribuindo com o processo
formativo dos estudantes e também lhes abrindo a chance de conhecer melhor
nosso repertório. Além do que, fica a pergunta: como você vai gostar de
algo que nunca experimentou? Praticamente todo o universo escolar que
mobilizamos sequer sabia onde o teatro ficava, jamais havia entrado num, nunca
havia sequer ouvido falar de nenhum dos artistas a que foi ver, ... entendem? Tem muitos mais aspectos significativos que podem ser
elencados e discutidos acerca de uma ação como essa, praticamente inédita em
sua concepção para os padrões potiguares (autoralidade, intergeracionalidade
etc), mas o que mais importa nesse momento é a defesa de sua manutenção dentro
da vida cultural da capital, se tornando modelo para que possa se expandir para
além daqui, em outros municípios da região metropolitana, ao menos. Não há justificativa
plausível para que um programa dessa natureza nunca tenha existido antes e também
para que de agora em diante não seja mantido como uma política permanente de
estímulo à produção musical autoral potiguar, contribuindo para valorizar a
riqueza de nossa diversidade sonora e divulgando melhor o que fazemos. É dever
dos poderes públicos. O
referido é verdade e dou fé.
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