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Reunião da Funarte com Sociedade Civil

Makely conta como foi a reunião de Grassi com alguns representantes de entidades do setor:

“Peço aos companheiros que estiveram presentes que complementem. Pelo que me lembro estavam presentes, além do Antônio Grassi [presidente da Funarte], os funcionários do governo Cláudio Guimarães, Eulícia Esteves, Maya Suemi e mais uma pessoa que não identifiquei. Da sociedade civil estávamos eu e Renata Andrade representando a Cooperativa da Música de Minas, Luís Felipe Gama e Karina Poli representando a Cooperativa de Música de São Paulo, Val Macambira representando o Fórum da Música da Bahia, Joana Queiroz, Bernardo Aguiar e mais um companheiro representando o SINDIMUSI-RJ. Lembrando que Luís Felipe e Val são membros titulares do Colegiado Setorial da Música.
A conversa começou com Grassi dando um panorama da situação atual da FUNARTE e pontuando algumas ações. Há atualmente apenas três funcionários no Centro de Música – CEMUS, sendo que uma delas está saindo de licença e a outra trabalha em regime de meio horário. Em função disso e da falta de um site com inscrições digitais por exemplo, todos os processos tendem a ser extremamente morosos. Cobramos do governo um orgão vinculado que dê a dimensão da complexidade e da robustez da indústria e da contra-indústria musical brasileira. Grassi anunciou a publicação de uma portaria para contratação de novos funcionários para a FUNARTE. Comentamos sobre a possibilidade de criação de um orgão, agência, instituto ou fundação, que possibilitasse um fomento efetivo para o setor. A ANCINE e o IBRAM foram citados como exemplos.
Grassi informou que o Ano Brasil – Portugal, previsto para se encerrar em junho pode ser estendido e eles devem aproveitar a lista de artistas excedentes do edital que selecionou atrações para o evento. Informou também que o MIDEM, importante feira internacional de música que acontece em Cannes, na França, vai homenagear o Brasil em 2014. Anunciou também os Encontros de Políticas Culturais da FUNARTE que vão percorrer todas as regiões do país a partir de abril. 
Após essa introdução apresentamos nossa sugestão de pauta que foi acatada. Em relação à reivindicação dos editais para o setor musical, como o Prêmio Procultura de Apoio a Festivais e Mostras de Música e o Prêmio de Apoio a Palcos Estáveis, ele argumentou que a edição anterior havia sido publicada ainda no governo Lula pelo secretário Juca Ferreira. Naquela ocasião os referidos editais foram publicados sem a existência de recursos para seu pagamento. Eles aguardam agora a aprovação do Procultura para a retomada deste e de outros editais. Informou também que o Prêmio FUNARTE de Música Brasileira, publicado no ano passado, está em fase final de avaliação e o resultado final deverá ser anunciado em maio. Questionamos o fato do prêmio beneficiar apenas 55 projetos em todo o Brasil, tendo recebido mais de três mil inscrições. A desproporção é constrangedora para a própria FUNARTE.
Com relação às feiras de música, a justificativa foi a LDO de 2010 que impede o repasse de recursos para entidades privadas. O governo só pode repassar recursos para entidades governamentais e exige uma contrapartida em dinheiro no valor de 20% do investimento. Explicou ainda que mais de 90% das secretarias de cultura no país estão inadimplentes com o governo federal e não podem receber o recurso. O presidente da FUNARTE sugeriu que encaminhássemos solicitação de alteração da LDO à Frente Parlamentar de Cultura no Congresso. Insistimos na importância da realização das feiras regionais e ele anunciou um edital, ainda embrionário, que poderia contemplar as feiras, mas seria um edital aberto para todas as áreas artísticas. Sugerimos a criação de cotas para os setores artísticos bem como sua regionalização.
Quanto ao Seminário Nacional da Música, a FUNARTE demonstrou todo o interesse em realizá-lo. Falamos sobre a necessidade de abordar alguns dos principais temas que hoje permeiam a atividade musical no país, como a revisão da Lei 3857/60, que criou a OMB e regulamenta a profissão de músico; regulamentação da Lei 11.769/08, que instituiu o ensino de música nas escolas; revisão da lei do Direito Autoral e fiscalização do ECAD; além de temas como as ações internacionais, o comércio digital de música e o cooperativismo musical, entre outros.
Houve ainda uma discussão sobre a representatividade e a necessidade de custear as passagens do grupo designado para participar de uma próxima reunião presencial para tratar do tema. Nesse momento foi questionada a representatividade do Fórum Nacional da Música. Foi necessário lembrar o histórico da entidade e o empenho dos bravos companheiros – alguns dos quais inclusive nem estão mais entre nós – para a formulação do Plano Setorial da Música, desde as Câmaras Setoriais em 2005. Argumetamos ainda que o FNM estava passando por uma transição mas o seminário é uma reivindicação antiga e que estamos dispostos a colaborar da forma que for possível.
Por fim foi sugerida a realização do seminário em novembro deste ano na capital federal. A FUNARTE ficou responsável por elaborar uma minuta da programação e enviar ao grupo como sugestão para ser discutida num primeiro momento virtualmente. O Colegiado Setorial da Música foi eleito o interlocutor oficial, juntamente com o Fórum Nacional da Música, os sindicatos e as cooperativas, que se dispuseram a colaborar com sugestões e propostas.
Abraços,
Makely

https://forumnacionaldamusica.wordpress.com/2013/04/14/centro-de-musica-da-funarte-se-reune-com-representantes-da-sociedade-civil/

2012/2013


 salve moçada da rede,

que a todos o ano de 2013 possa trazer boas novas e conquistas importantes!

seg transcrito abaixo o mais completo relato sobre a reunião do CNPC com mais enfoque para o setorial de música, traçado pelo Nicolau Amador, lá do Pará:


MNISTÉRIO DA CULTURUA REALIZA ENCONTRO E RENOVAÇÃO DOS COLEGIADOS SETORIAIS
Soft Power: A ministra Marta Suplicy
na abertura da reunião dos "Fóruns
Setoriais", em Brasília.
Os Colegiados Setoriais de Cultura, instâncias consultivas que compõem o Plano Nacional de Cultura (cuja instância superior é o Conselho Nacional de Políticas Culturais – CNPC), tem nova configuração desde o último dia 15 de dezembro quando encerraram as reuniões convocadas em Brasília pelo Ministério da Cultura. Neste texto pretendo registrar os fatos mais importantes ao processo, principalmente, aquilo referente ao Colegiado Setorial de Música (CSM), do qual fiz parte como membro nato desde 2005 e do qual me despedi este ano deixando novos colegas no lugar. Também registro as falas da nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, e do presidente da Funarte, Antonio Grassi, que esteve presente à reunião do CSM.
O encontro reuniu cerca de 450 delegados de todos os 17 colegiados (Design, Música, Teatro, Culturas Populares, Dança, Artesanato etc.), eleitos em processo eleitoral pela internet– onde a dificuldade do sistema criado pelo Minc e a burocracia exigida eliminou mais da metade dos eleitores aptos a votar e muitos candidatos. Essa dificuldade, fora as dificuldades de locomoção e passagens de muitos delegados, foi um dos principais motivos de críticas dos delegados na cerimônia de abertura, onde o diretor do departamento de participação social da Secretaria Nacional de Articulação Social da Secretaria Geral da Presidência da República, Pedro Pontual, falou sobre democracia participativa e democracia representativa, e expôs as ações do governo federal para promover a participação popular no processo de decisões em várias instâncias.
Apesar da boa vontade demonstrada por Pontual e o Secretário de Articulação Institucional, João Roberto Peixe, as críticas se sucederam até que eles não tivessem mais tempo de responder, pois havia acabado o tempo e era a vez da cerimônia com a participação da ministra. Além dos delegados, havia observadores como a antropóloga Lorena Avellar, que prepara a tese de doutorado na USP sobre políticas públicas na área cultural.
Uma das críticas que também ressoaram no salão do Centro de Eventos e Convenções Brasil 21 foi a da delegada paraense Edna Marajoara, que reclamou da falta de institucionalização do “custo amazônico” nas diretrizes do Plano Nacional de Cultura por parte do CNPC. Produtores, artistas e gestores criticam veladamente o conceito por acharem ora uma forma de privilegiar a região amazônica sobre as demais, ora por dizerem que não sabem exatamente do que se trata esse custo.
Fato é que o custo amazônico foi aprovado como diretriz por grande número de votos na última Conferência Nacional de Cultura, dois anos atrás. Apesar disso, o CNPC não validou a institucionalização do conceito – apesar do Minc ter iniciado um programa compensatório com o edital para micro projetos culturais para a Amazônia Legal. A defesa de uma política de desenvolvimento artístico e cultural para a Amazônia foi defendida e tem sido reiterada pelos representantes do Fórum Permanente de Música do Pará como eu, Augusto Hijo e Gláfira Lobo, além de muitos outros representantes que vem participando do processo de construção de uma política nacional de cultura desde 2005, quando foram criadas as câmaras setoriais. Considero-o, antes de um conceito econômico, um investimento e uma compensação pela exploração dos recursos naturais e pela omissão histórica da cultura regional como parte de suposta identidade nacional. Se falarmos de soft power, como explicitaremos mais adiante, o potencial é grande. Sem negar, de forma alguma, a contribuição que a cultura das demais regiões dão ao país.
No final, não obstante as críticas, delegados e gestores pareceram chegar a um consenso em que, apesar das falhas, a participação democrática tem sido, na maioria dos casos e a despeito das mudanças promovidas pela ministra anterior, favorecida pelo Minc. Pelo menos a impressão que tivemos é que o carisma e a desenvoltura política da nova ministra Marta Suplicy traz mais segurança ao setor.

O soft power de Marta Suplicy
 
A ministra recebeu de presentes
um Búfalo de balata, tipo de látex
que só dá nas seringueiras do Marajó.
A abertura oficial da reunião dos colegiados setoriais de cultura (chamados erroneamente pelo próprio Minc de Fóruns Nacionais Setoriais) ocorreu pela parte da noite do dia 13 de dezembro, depois das palestras dos gestores e das críticas dos delegados, com a participação da ministra Marta Suplicy e de mais duas mulheres: Rosa Coimbra, representando a participação da sociedade civil no CNPC, e a deputada Dorinha Seabra Resende, representando a frente parlamentar em defesa da cultura e a comissão de educação e cultura. Silvestre Ferreira, da Fundação Cultural de Joinville e presidente do Fórum Nacional dos secretários de dirigentes municipais de cultura das capitais e regiões metropolitanas, completou a formação da mesa.
Rosa Coimbra reiterou o apoio do CNPC ao governo, apesar de ressaltar que nem todas as demandas tem sido atendidas. Dorinha falou sobre a frente parlamentar, que é suprapartidária e tem conseguido mobilizar muitas questões dentro do Congresso Nacional como a aprovação recente do Vale Cultura, que chegou a ser anunciado ainda no governo Lula mas que ainda depende de regulamentação. Ferreira empenhou apoio dos secretários.
Mas a fala que todos aguardavam mesmo era a da ministra, que imprimiu um tom descontraído e informal ao seu discurso. “Eu estou aqui, conversando com vocês, esperando que a gente possa, junto, entender melhor o processo”, dizia ela.
Marta falou da marca que quer imprimir à sua gestão. Ressaltou as dificuldades de execução de orçamento e de falta de interação política e institucional da pasta, e contou como tem contado com apoio da frente parlamentar, do presidente do senado José Sarney e da equipe do ministério, que pouco se alterou com a sua chegada recente. “Demos sorte que ele também é da área”, disse, relembrando a verve literária do ex-presidente da República e ressaltando a importância dele nas articulações políticas para a aprovação do Vale Cultura, que ainda depende do convencimento das empresas que podem ou não adotar o sistema.
O contingenciamento orçamentário da pasta e a falta de habilidade das organizações culturais com a gestão financeira dos projetos foram apontados pela ministra como algumas das dificuldades de implantar uma marca forte. Mas ela anunciou orgulhosa que àquele momento o ministério chegava ao recorde de 96% de execução do próprio orçamento.
Falou que o ministério vai implantar os projetos mesmo que as organizações culturais não tenham fôlego e convocou os municípios e as instituições a pedirem ajuda se for preciso. “Se não tiver produtor capacitado para executar os projetos, nós vamos até lá”,ressaltou a ministra. O anúncio parece coincidir com o edital de seleção de 114 produtores culturais para trabalhar no ministério lançado recentemente.
Mas foi quando falou da implantação dos CEUs das Artes no exterior que Marta Suplicy reiterou a vocação de sua gestão para o desenvolvimento integrado entre a economia criativa e a educação. Para quem não sabe, os CEUs são “centros unificados” que nasceram do conceito dos Centros Educacionais Unificados, implantados por Marta quando foi prefeita de São Paulo. A cidade conta hoje com mais de 40 CEUs que oferecem educação integral, esportes, assistência e cultura aos alunos da periferia. Marta já começa a implantar CEU’s pelo Brasil e contou como a prefeitura de Lisboa, em Portugal, lhe ofereceu um terreno para a construção de um CEU lá, disseminando a cultura brasileira. “Quando chegamos na França, o embaixador disse que já sabia que nós íamos construir um CEU em Portugal e perguntou porque não fariam o mesmo em Paris. Eu disse que não tínhamos perna para isso, e eles nos ofereceram também um terreno para implantar um CEU em Paris, e agora temos mais um CEU para implantar na Europa”, disse a ministra.
Ela mesma contou das críticas a respeito de investir dinheiro da cultura no exterior e disse que era importante, que era soft power. “O pessoal da economia criativa sabe do que estou falando”, afirmou a ministra.
A partir da página 12 do livro“Mainstream – A guerra global das mídias e das culturas” (Civilização Brasileira, 2012), o sociólogo francês Frederick Martel, um entusiasta das indústrias criativas, explica o conceito de soft power através do cientista político americano Joseph Nye, então presidente da Kennedy School, “a prestigiosa escola de ciências politicas e diplomacia”sediada em Harvard. Nye analisou a “interdependência complexa” das relações entre os países numa época de globalização e inventou o conceito de soft power, que serve ao governo de Barak Obama atualmente. Consiste em uma estratégia de sedução que dá poder e está baseada na cultura e não mais na força militar, o hard power. Segundo o cientista, “o soft power também é a influência por meio dos valores como liberdade, democracia, individualismo, o pluralismo da imprensa, a mobilidade social, a economia de mercado e o modelo de integração das minorias nos Estados Unidos.”
Assim, temos uma ideia do que será a marca de Marta com os CEUs – em que ela pediu para não economizar, pois, segundo ela, é com instalações e equipamentos de ponta que a prática das artes deve se desenvolver entre os jovens.
 
A renovação do colegiado de música

 
Delegação Norte do Colegiado de
Música: Nicolau, Wertemberg ,
Hijo e Luciano Souza.
Dada a dificuldade de participação pelo processo eleitoral implementado pelo Minc, praticamente ao mesmo tempo em que a ex-ministra Ana de Hollanda caia e ascendia Marta Suplicy, muitos dos 17 colegiados setoriais ficaram incompletos. Cada colegiado é formado por 30 membros, sendo 15 titulares e 15 suplentes. O colegiado setorial de música contou com a participação efetiva durante as discussões e o processo eleitoral de 32 delegados e membros natos – aqueles que participam do processo desde a implantação das câmaras setoriais em 2005. Destes, quatro membros natos em segundo mandato não poderiam participar da renovação dos colegiados, entre eles o mineiro Makely Ka, o goiano Du Oliveira, o representante do Paraná Manoel Souza Neto e eu. Apesar disso colaboramos substancialmente para a fluidez do processo, acredito.
Assim sendo o processo eleitoral tomou início, não sem antes o ator Antonio Grassi, atual presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte), braço institucional do Minc que organiza os colegiados/câmaras desde 2005, receber e responder a algumas críticas. Tudo parte do processo democrático, que eventualmente demonstra alguns gargalos políticos setorizados ou talvez regionalizados. Grassi respondeu principalmente sobre a desarticulação da Rede Música Brasil e a ausência da Feira Música Brasil, e de algumas feiras regionais. Aceitou a sugestão de Makely Ka para construir um Seminário Nacional da Música.
De volta à reconstituição do colegiado, como não havia delegados suficientes para uma disputa mais acirrada, alguns membros natos tentaram mais uma vez repetir o consenso promovido por amplas discussões entre o Fórum Nacional da Música e o Circuito Fora do Eixo na última pré-conferência nacional de cultura, em 2010, onde foram eleitos os delegados que agora deixaram o cargo. Esse “consenso” encontrou, na minha opinião, muitas dificuldades de ser executado e acabou por colaborar por um esvaziamento do FNM e um afastamento do CFE depois que Juca Ferreira deixou a pasta sendo substituído por Ana de Hollanda. Nesta reunião havia três membros do Fora Eixo, inclusive Ney Hugo, ex-baixista da banda Macaco Bong, que atualmente conduz os trabalhos do coletivo no Rio Grande do Sul.
Grassi, da Funarte, rebatendo
críticas. Ele prometeu Seminário
Nacional de Música
O rodízio entre titulares e suplentes foi a priori mantido mas é um acordo entre os delegados, que depende deles e não do Minc. Dessa forma, sugeri que seguíssemos a proposição do CNPC e elegêssemos primeiramente as representações regionais, já que cinco dos 15 titulares do colegiado são representantes regionais. Cada região, então, se reuniu e elegeu seus representantes. A região Centro-Oeste contou com apenas uma representante em todo o colegiado, a produtora Alexandra Capone, irmã do saudoso Tom Capone. A região Norte teve apenas três representantes aptos no processo: o paraense Augusto Hijo e Wertemberg Nunes e Luciano de Souza, ambos do Tocantins (O Pará teria mais um representante apto, o produtor Márcio Macedo, mas este não pode participar da reunião, pois as datas foram alteradas e ele tinha um compromisso em Belém com o show do Cabloco Muderno de Marco André).
O representante da região Norte escolhido foi o paraense Augusto Hijo que a princípio ficou sem suplente, assim como Alê Capone. A compositora Ana Terra, do Rio de Janeiro, foi escolhida pelo Sudeste, e o professor e compositor Ricardo Bordin foi eleito pelo Sul. Val Macambira foi o representante do Nordeste. Cada regional indicou ainda um delegado para ocupar uma vaga do colegiado representando também os setores criativo, produtivo ou associativo. A indicação da região Norte foi Luciano, que é presidente do Sindicato dos Músicos do Tocantins e participa da Federação Nacional de Cooperativas de Músicos.
Depois de escolhidos os representantes regionais foi a vez de eleger os outros cinco titulares, que foram eleitos no voto. A indicação da região Norte, o músico e produtor Wertemberg Nunes, foi o segundo mais votando com 14 votos, atrás apenas do maestro Amilson Godoy, de São Paulo, que teve 19 votos. Atrás dele teve Ney Hugo (12 votos), Gabriel Alves (11), Aládia Quintella e José Raimundo Alves (ambos com 10 votos) – cada delegado votou em três nomes já que eram seis vagas restantes, uma vez que a região Centro-Oeste não pôde indicar outro membro.
Val Macambira e Aílson Godoy,
novos membros do CNPC, com João
Roberto Peixe, da SAI.
Por fim, depois de uma maratona de debates que incluiu a tentativa de incluir mais dois membros como suplentes que ficaram impossibilitados de chegar para a reunião por algum motivo – em geral por conta da dificuldade do próprio Minc em conseguir passagens para todos – o novo colegiado elegeu no voto os dois indicados ao Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC). Os escolhidos foram o maestro Amílson Godoy, representando a música erudita, e o baiano Val Macambira, representando a música popular. Os suplentes ao CNPC, a câmara alta da cultura no Minc, foram, respectivamente, Luís Felipe Gama, da cooperativa de música de São Paulo, e a produtora Alê Capone.
Uma das primeiras ações de membros dos colegiados e outros agentes engajados no processo é uma reunião em janeiro, no Rio, com a direção da Funarte para a elaboração de um Seminário Nacional da Música, a que propusemos etapas regionais antecipando a ação.
Meu relato não seria completo ainda se não registrasse que houve críticas implícitas e explicitas ao modo como FNM, CFE e outras organizações conduziram o CSM promovendo certo esvaziamento do mesmo, para o que muito colaborou também a gestão conturbada de Ana de Hollanda. Principalmente Manoel Souza Neto e Malva Malvar, de Sergipe, frisaram a necessidade do CSM promover uma mobilização e um debate aberto com as bases do fóruns, sempre difíceis de mobilizar. Ações práticas como a conduzida por Val Macambira e correligionários da Bahia e por Ale Capone, juntamente com o governo do DF tem tido êxito. Acho que o novo momento também coincide com uma nova articulação do Fórum Municipal de Belém, que reúne vários membros dos colegiados. Parece um novo momento. Tenhamos esperança e vontade de trabalhar.

Eu e o Meu Cachê. Quanto Vale o Que?

Afora todas as atribulações sofridas pela cidade nesse fim de ano tumultuado, veio à tona, com a realização de algumas atividades envolvendo a música local, ótimas questões que podem nos servir utilmente para uma reflexão sobre nossa cena e seus meandros, dilemas e curiosidades. Sem a intenção de mexer nos melindres de ninguém, quero apenas externar meu ponto de vista.
 
Foi muito sintomático o que escreveu o maestro Franklin Nogvaes acerca de sua participação no festival do qual foi vencedor no ano passado, e para o qual teve que ensaiar e apresentar um show na final de 2012, ao módico valor de 1500 réis. Bom conhecedor dos percalços de sua profissão, considerado um dos mais completos naquilo que sabe bem fazer, em atuação continuada há décadas na área, o desabafo que fez em sua rede social serviu para nos fazer pensar mais uma vez acerca da sempre e rebatida conduta da cidade em relação aos seus artistas. O que justifica o valor de um cachê tão diferenciado para baixo, em relação ao que é pago a quem vem de fora? Qual o sentido dessa desvalorização tamanha àquilo que produzimos aqui? Onde reside a causa para o desprezo, senão desrespeito, ao trabalho dos que se dedicaram a compor e cantar, arranjar e divulgar a música potiguar? De onde vem este preconceito e como poderemos extirpa-lo? Por qual razão os produtores não concedem um camarim para o artista natalense? E quando isso acontece, qual o motivo para a discriminação, a nítida diferença no tratamento e nas condições de alojamento, tão necessárias ao bom desempenho da pessoa no palco? Às vezes o público pode até nem saber, mas uma apresentação musical não se faz com um passe de mágica e requer uma preparação planejada, com toda uma logística, que a depender do tamanho do evento exige uma acomodação digna para dar condições de bom preparo à equipe envolvida, incluindo músicos acompanhantes, técnicos, convidados etc. Ficam a flanar no ar mais uma vez esta série de perguntas, sempre com a intenção de provocar em todos os envolvidos uma melhor compreensão deste quadro tosco.
 
Interessante também notar sobre este festival (MPBeco), a virada cultural e os shows que compõem a programação da árvore natalina, em Mirassol, uma maior presença de artigos na imprensa e redes sociais, fossem assinados por jornalistas ou demais atores envolvidos, abrindo discussões acaloradas, contribuindo para levantar temas pertinentes e permitir um bom debate a respeito dos mesmos. O jornalista Sérgio Vilar já vem há um considerável tempo escrevendo sobre a área cultural, com um blog que versa a maioria das vezes sobre esta seara trepidante, ao que somou-se mais recentemente o também jornalista e músico Moisés de Lima, que abriu um espaço onde passou a publicar conteúdos mais notadamente voltados para a música.
 
Estes dois pólos foram fontes de postagens com resenhas, comentários e críticas sobre estas 3 atividades acima mencionadas, dando margem para um melhor acompanhamento e posterior interpretação de fatos alusivos ou decorrentes destes importantes eventos, que juntos marcam o fecho deste ano que agora acaba. A análise que estes dois espaços vêm concedendo aos ares artísticos e musicais da capital tem possibilitado um olhar atento mais permanente sobre as atividades que se enquadram dentro do interesse daqueles que labutam nesses setores. Essa disposição em informar, opinar e criticar são de um significado incomparável, pois move a duna pantanosa a que nos arraigamos, deslocando-nos, alavancando a esteira vagarosa por onde estão a correr já há muito tempo estes temas tão velhos. As observações feitas, às vezes discretamente, seja sobre a pouca alternância de nomes selecionados para as eliminatórias do MPBeco, seja sobre a ‘curadoria de si mesmo’ da Virada ou a discussão envolvendo a recente adoção da programação da Árvore de Mirassol por uma associação de músicos dispostos a negociar seus cachês em troca da tal da visibilidade, nos obriga a passar por uma inevitável discussão que termina nos levando a amadurecer com mais propriedade as dificuldades inerentes aos que fizeram da música o seu ofício.
 
Certo é que o músico, aquele que deu à sua vida esse destino profissional, deve ter em mente que diversos aspectos ligados a esta atividade estão sendo radicalmente transformados, e que ele precisa estar cada vez mais antenado com modelos diferenciados de como conduzir sua trajetória, atento à construção de novos caminhos, que estão sendo abertos exatamente agora, nesse processo de reestruturação da chamada cadeia produtiva da música. Então, a hora merece especial atenção, pois dependerá de nós, em parte, redefinirmos o horizonte a ser trilhado pela música brasileira nos próximos anos e décadas.
 
Questões como distribuição e circulação são as mais chamativas em eventos do ramo, mas outras tais quais direitos autorais e entidades representativas do setor estão também sendo pautadas gradativamente, a cada novo ano. Novidades como o cooperativismo musical estão saindo do papel, buscando por novas maneiras de garantir alternativas de sustentabilidade, dando mais autonomia ao artista criativo e independência nas suas ações e projetos. Vale a pena examinarmos com cuidado cada passo nessa direção, sob pena de não conseguirmos modificar essa realidade histórica a que vimos submetidos.
 
Com esse propósito, não seria nada mal se para este ano que se abre a gente conseguisse em Natal desenvolver um calendário de discussões a respeito de assuntos relativos, o que possivelmente possa trazer mais luz e melhor entendimento no que se refere a esse temário.


Esso Alencar
http://mixigenassons.wordpress.com/2012/12/27/eu-e-o-meu-cache-quanto-vale-o-que/


ESSO - www.sitiodoesso.com

Programação da Semana Cultural da Música Potiguar - Tocando Pessoas Através da Música - De 19 a 23 de Março




Programação da Semana Cultural da Música Potiguar

Tocando Pessoas Através da Música

De 19 a 23 de Março


CURSO COMO TRANSFORMAR A SUA BANDA EM UMA MICROEMPRESA

De 19 a 23/03  – Segunda a sexta
Manhãs  – 8h às 12h
Local: Sala D - Setor de Treinamento do SEBRAE-RN  (Av. Lima e Silva, 76)
Investimento (livro Música LTDA. incluso): R$ 40,00
Inscrições (Call Center do SEBRAE-RN): 0800 570 0800


Vagas: 30

DISCUSSÕES TEMÁTICAS (ACESSO LIVRE)


20/03 – Terça
Tarde – 14h às 17h
Local: Salão de Eventos - SEBRAE-RN (Av. Lima e Silva, 76)
Discussão Temática: A Música Potiguar e as Razões de uma Política Cultural para o Setor, com Francisco José Marinho – Fundação José Augusto, Maestro Bembem Dantas – UNIBAN-RN, Vlamir Cruz, representante do Fórum Permanente de Música – FPM-RN e Rodrigo Cruz, representante da Rede Potiguar de Música – RPM. Moderador: Esso Alencar.
Vagas: 30

21/03 – Quarta
Tarde – 14h às 17h
Local: Salão de Eventos - SEBRAE-RN (Av Lima e Silva, 76)
Discussão Temática: Sindicalismo Musical na Atualidade, com Paulo Sarkis Ricardo Antão, respectivamente vice-presidente e presidente do SINDMUSI-RN. Moderadora: Bruna Mara Wanderley.
Vagas: 30

22/03 – Quinta
Tarde – 14h às 17h
Local: Salão de Eventos - SEBRAE-RN (Av. Lima e Silva, 76)
Discussão Temática: A Música e o Cooperativismo – Interseções Possíveis, com Esso Alencar, presidente da Cooperativa da Música Potiguar – COMPOR e Makely Ka, fundador e atual conselheiro da Cooperativa da Música de Minas – COMUM. Moderadora: Bruna Mara Wanderley.
Vagas: 30

23/03 – Sexta
Tarde – 14h às 17h
Local: Salão de Eventos - SEBRAE-RN (Av. Lima e Silva, 76)
Discussão Temática: Direitos Autorais no RN, com André Alves Wlodarczyk (especialista em Direitos Autorais, integrante do Fórum Nacional de Música - FNM). Moderador: Cláudio Machado.
Vagas: 30

CICLO DE CINEMA MUSICAL (ACESSO LIVRE)

20/03 – Terça
Noite – 18h às 21h
Local: Auditório do Sebrae (Av. Lima e Silva, 76)
Foto: Produção
O Estado da Arte da Fuleragem 


(Curtametragem de 30 min.), Luiz Sérgio Ramos e Josemar Martins
Sinopse: O estado da arte em questão se relaciona com um conjunto de produções estéticas que se desenvolvem no Brasil contemporâneo e que, mais recentemente, vieram a se alojar sobre o guarda-chuva conceitual da "Fuleragem". Além da produção que se autodenomina "fulera", o termo cabe também ao pagode baiano, ao funk carioca, ao arrocha, ao forró “temperado” e afins. O Estado da Arte da Fuleragem questiona certo silenciar dos intelectuais e, particularmente, a ausência de autocrítica por parte do poder público, especificamente dos responsáveis pelas Políticas Culturais nas pequenas e médias cidades, principais consumidoras do gênero.


Foto: Divulgação


Milagre de Sta Luzia 


(Longametragem de 2009 | 104 min. – 1h44min), Sérgio Roizenblit


Sinopse: O Milagre de Sta Luzia é uma viagem pelo Brasil que toca sanfona conduzida por Dominguinhos, principal sanfoneiro vivo do País. Entre encontros acompanhados de muita música e reunindo depoimentos dos mais representativos sanfoneiros brasileiros, o filme faz um mapeamento cultural das diferentes regiões do Brasil onde a sanfona se estabeleceu. A película guarda preciosos registros de importantes personalidades da música popular brasileira, como o poeta Patativa do Assaré, Sivuca e Mário Zan, falecidos pouco tempo depois de sua participação no filme.

Convidado: Henrique José Cocentino
Vagas: 100

21/03 – Quarta
Noite – 18h às 21h
Local: Auditório do Sebrae (Av. Lima e Silva, 76)
Foto: Canindé Soares
 O Tocador de Flauta


(Curtametragem de 2011 | 20 min.), Eduardo Colin, Ana Carmen Nascimento e Washington Ribeiro 
Sinopse: O documentário O Tocador de Flauta apresenta o trabalho do artista potiguar Carlos Zens, mostrando o seu percurso no campo da música desde a infância até os seus quase 30 anos de carreira. O vídeo pretende valorizar a música potiguar, e principalmente se manter como registro sobre a memória do Rio Grande do Norte. Os jornalistas: Ana Carmem Nascimento, Eduardo Colin e Washington Ribeiro expõem as dificuldades, realizações e sonhos do instrumentista, professor, cantor e compositor.



Foto: Produção
Samba Riachão


(Longametragem de 2001 | 86 minutos – 1h26min), Jorge Alfredo
Sinopse: Aos 80 anos de idade, Riachão é o cronista musical da cidade de Salvador, tendo vivenciado todas as transformações pelas quais passou a música popular brasileira e os meios de comunicação no decorrer do século XX. É através das histórias deste cronista que o filme apresenta um relato histórico da MPB.

Convidada: Ana Carmem Nascimento e Josenilton Tavares
Vagas: 100

22/03 – Quinta
Noite – 18h às 21h
Local: Auditório do Sebrae (Av. Lima e Silva, 76)
Foto: Produção
O que é...? Retrato de uma canção


(Curtametragem de 2006 | 30 min.), Maurício Montecinos
Sinopse: O filme de Maurício Montecinos mostra o trabalho de preparação de quatro senhoras integrantes do Clube da Melhor Idade do Pium para a gravação e apresentação da canção O q é q o Eusébio Vai Fazer? (incluída no disco Bossta Nova, de Esso).



Foto: Divulgação
Daquele Instante em Diante 


(Longametragem de 2011 | 110 min. – 1h50min), Rogério Velloso
Sinopse: Itamar Assumpção é fonte de inspiração para Rogério Velloso na direção de Daquele Instante em Diantedocumentário de longametragem. Mergulho de dois anos  em um processo intenso de entrevistas e seleção de trechos em mais de 180 horas de gravações. Acostumado a ter o controle da situação em seus trabalhos de publicidade e videoarte, nesse caso, o diretor se permitiu experimentar mais e se deixou conduzir sem roteiro pelos encontros com pessoas que conviveram e trabalharam com o Nego Ditorevelando aos poucos a complexidade desse iconoclássico. 

Convidados: Esso Alencar e Nelson Marques
Vagas: 100

23/03 – Sexta
Noite – 18h às 21h
Local: Auditório do Sebrae (Av. Lima e Silva, 76)

Foto: Produção

Mad Dogs - Vida de Cão

(Curtametragem de 2009 | 22 min.), Byanca Vanderlei, Débora Brandão e Mariana Arêa
Sinopse: Mad Dogs - Vida de Cão é um documentário musical que visa mostrar a trajetória desta banda potiguar. Desde o inicio, passando pelas noites de segunda com as Mad Mondays, nas quais a banda teve seu reconhecimento local, indo pras Beatleweeks em Liperpool e Buenos Aires, onde representaram o Brasil num festival de bandas que interpretam Beatles, até completar seus 15 anos.

Foto: Divulgação

Fabricando Tom Zé

(Longametragem de 2006 | 90 min. – 1h30min), Décio Matos Júnior

Sinopse: Fabricando Tom Zé é um documentário que retrata a vida e obra de um dos mais controversos Tropicalistas, cujo fio condutor é sua turnê pela Europa em 2005. O filme mistura diferentes formatos de vídeo, película e animação para mostrar uma detalhada visão do universo musical de Tom Zé, para o qual um baixo e um esmeril têm a mesma importância melódica. Em entrevistas bem intimistas, ele narra diversas fases de sua vida e conta como começou sua carreira na década de 60, o ostracismo nos anos 70 e seu ressurgimento no início anos 90. O filme ainda conta com entrevistas de Gilberto GilCaetano VelosoDavid Byrne e outros. Aos 70 anos, Tom Zé, ainda é considerado um músico de vanguarda, produzindo um estilo musical único, originalíssimo.

Convidados: Banda Mad Dogs, Byanca Vanderlei, Débora Brandão e Pedro Fiúza
Vagas: 100