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EM DEFESA DA MOSTRA

 

Mostra de Cantautores da Música Potiguar - lançamento (Salão Nobre TAM)

No ano passado, no último semestre, a música (Autoral) potiguar passou por uma experiência um tanto atípica: estrelou o palco do principal teatro público da capital com uma temporada onde quem brilhou foram seus próprios artistas (cantores, compositores, intérpretes, instrumentistas etc).

O êxito foi total!

Não tem embora. Não tem senões.

Todas as edições da Mostra de Cantautores da Música Potiguar transcorreram dentro de um esquema profissional, com cachês, pontualidade, direitos autorais, excelência artística e até público. Pois é!

 A proeza se deu a partir de uma provocação feita pela Rede Potiguar de Música (RPM), uma entidade informal que foi criada há década e meia em Natal/RN, que luta com todas as forças para que justamente ações dessa natureza venham a consolidar a estruturação de uma política pública para o segmento - no caso, após a intervenção da Rede feita com o festival de duetos na mostra coletiva “Rede Potiguar dá Música” (Oito da Noite), realizada em 1º de agosto de 2024.

A partir dali, com a adesão da Fundação José Augusto (TAM) e a parceria do Teatro Alberto Maranhão (TAM), foram se somando outros vários esforços através do Núcleo de Produção Cultural Cooperada, que redundou na concretização da Mostra no ano passado, composta de seis edições (julho a dezembro/2025).

Encerrada em meados do último mês do ano passado com o decano de nossas canções, Mirabô Dantas, em bela tabela com a cantautora Sílvia Sol, a Mostra de Cantautores marcou um golaço, com música feita por nós, tocada por nós, aclamada por nós, instigada pelo coletivo que tornou possível a viabilização dessa rica programação oferecida como um aperitivo do que pode ser feito para que um programa dessa natureza não deixe de existir jamais em nossa cidade, se inserindo no calendário cultural anualmente.

Sim!, há o dilema da questão do público: o discurso é o de que a população não prestigia sua própria produção musical, diferentemente de outros tantos lugares, até próximos a nós. Mas não é bem assim. É mais correto afirmarmos que são poucas as oportunidades em que a comunidade é estimulada a este encontro, principalmente quando se trata de música autoral, apresentada em palcos profissionais e com acesso facilitado. Para a Mostra, conseguimos trazer a cada edição um grande contingente de alunos da rede pública de ensino, o que atendeu perfeitamente a um de nossos propósitos, que é o de alcançar uma melhor e maior interlocução com o campo da educação, contribuindo com o processo formativo dos estudantes e também lhes abrindo a chance de conhecer melhor nosso repertório.

Além do que, fica a pergunta: como você vai gostar de algo que nunca experimentou? Praticamente todo o universo escolar que mobilizamos sequer sabia onde o teatro ficava, jamais havia entrado num, nunca havia sequer ouvido falar de nenhum dos artistas a que foi ver, ...  entendem?

Tem muitos mais aspectos significativos que podem ser elencados e discutidos acerca de uma ação como essa, praticamente inédita em sua concepção para os padrões potiguares (autoralidade, intergeracionalidade etc), mas o que mais importa nesse momento é a defesa de sua manutenção dentro da vida cultural da capital, se tornando modelo para que possa se expandir para além daqui, em outros municípios da região metropolitana, ao menos. Não há justificativa plausível para que um programa dessa natureza nunca tenha existido antes e também para que de agora em diante não seja mantido como uma política permanente de estímulo à produção musical autoral potiguar, contribuindo para valorizar a riqueza de nossa diversidade sonora e divulgando melhor o que fazemos. É dever dos poderes públicos.

O referido é verdade e dou fé.

 

Esso Alencar 
cantautor 
autoprodutor 
ativista cultural

MÚSICA AUTORAL POTIGUAR

 


              A música autoral potiguar está protagonizando uma experiência há muito aguardada pelos que a fazem. Trata-se da Mostra de Cantautores da Música Potiguar, que vem se desenrolando desde julho passado no palco do TAM (Teatro Alberto Maranhão), centenário teatro localizado na Ribeira, em Natal, capital potiguar.

Estreada no início do semestre, a Mostra se compõe de seis edições, uma a cada mês (julho a dezembro), com início pontual às 19h30. Cada evento conta com duas atrações e une diferentes gerações de autores e intérpretes, com repertório voltado para a produção musical própria, num espetáculo sonoro que vem demonstrando a força de seu elenco.

A Mostra de Cantautores da Música Potiguar é uma proposição da Rede Potiguar de Música (RPM), que tem como missão contribuir com a estruturação de uma política pública segmentada para a música feita no estado. A temporada foi antecedida de uma Conferência Livre de Música, realizada em parceria com o Comitê de Cultura Minc/RN, de onde extraímos um documento final com um diagnóstico razoável do nosso panorama, o que certamente nos ajuda a enxergar com mais clareza e precisão o terreno onde vimos pisando nos últimos tempos.

Nosso desafio agora se volta para a ampliação de uma atuação melhor organizada por parte da Rede, que mesmo sendo uma entidade informal, segue articulando novas vias que possam fortalecer seu propósito. Novas incursões vêm sendo feitas para que outros municípios do RN tomem conhecimento do que estamos experimentando por aqui, principalmente os que estão na região metropolitana.

Também estamos buscando tratar de algumas temáticas recorrentes em nossa realidade, tais quais a execução pública de nossos fonogramas através das emissoras de rádio daqui, que basicamente se negaram historicamente a nos tocar, afora alguma excepcionalidade. Tem ainda o descaso institucional com a nossa memória musical, deixando nossa produção relegada ao esquecimento, sem qualquer cuidado com esse patrimônio. São muitas e antigas as reivindicações, atingindo desde os músicos da orquestra até os profissionais independentes. Sempre foi assim.

Temos a intenção de continuar com essa atuação da RPM, que já tem 15 anos, e aprofundar a interlocução com nossas comunidades (nosso povo) e até com algumas de nossas instituições, visando alcançar prioritariamente uma maior proximidade com quem trabalha e vive no chão potiguar. Com a Mostra, por exemplo, estamos conseguindo viabilizar uma interação escolar bem proveitosa, trazendo professores e estudantes para assistirem às apresentações musicais e estimulando a todos um maior conhecimento das obras e dos artistas.

Paralelamente, acompanhamos com grande interesse a mobilização nacional provocada pelo Fórum Nacional de Música (FNM), que vem sendo feita através de audiências públicas, estudos de dados e outros diversos instrumentos, com o fim de criarmos a Agência Nacional de Música, apoiada por um fundo setorial, dando conta de regulamentar o campo da música no país, protegendo os interesses dos criadores e estabelecendo uma relação mais justa entre estes e os consumidores.


Esso Alencar 
cantautor 
autoprodutor 
ativista cultural

 

MOSTRA DE CANTAUTORES DA MÚSICA POTIGUAR

 

 


A Rede Potiguar de Música (RPM) promove nesse segundo semestre do ano a Mostra de Cantautores da Música Potiguar, a acontecer com uma edição mensal entre julho e dezembro no palco do TAM – Teatro Alberto Maranhão, em Natal/RN.

A programação tem início no próximo dia 09 de julho, às 19h30, com as apresentações do Trio Toró e Esso Alencar, responsáveis pela estreia dessa temporada que tem como objetivo levar ao palco mensalmente duas atrações, caracterizando-se como uma mostra musical intergeracional, que possibilita o encontro de uma nova geração de compositores e intérpretes radicados no Rio Grande do Norte com outros artistas mais antigos do estado ainda em atividade, permitindo uma maior interação entre diferentes gerações da produção musical potiguar.

Pensada para chamar a atenção em defesa da criação de um programa de fomento para a música autoral produzida no estado, a atividade quer ser incorporada ao calendário cultural da capital e é fruto de parceria entre o Teatro Alberto Maranhão e a Rede Potiguar de Música, que atua também fazendo a coordenação executiva do programa, conduzida em cooperação com outros diversos agentes culturais, incluindo os próprios artistas.

O projeto se destina ainda a promover uma interlocução necessária entre setores estratégicos para a divulgação da produção musical autoral potiguar, envolvendo o campo educativo, buscando a formação de público para a arte entre estudantes de todos os perfis, procurando uma aproximação entre o conteúdo produzido localmente e o vasto contingente a ser alcançado que se encontra nessa faixa de aprendizado. 

Outros propósitos também estão sendo alinhados com foco na profissionalização do músico, dando-lhe a oportunidade de trabalhar alternativas sustentáveis ao desenvolvimento de suas carreiras.

As senhas estarão disponíveis antecipadamente nas lojas Sem Etiqueta e na Discol, e também já podem ser adquiridas via internet, através da plataforma lincada em https://outgo.com.br/mostra-cantautores-potiguar_esso-e-trio-toro.


https://pordentrodorn.com.br/2025/07/03/mostra-de-cantautores-da-musica-potiguar-estreia-na-proxima-quarta-9-no-tam/

https://www.bnewsnatal.com.br/noticias/entretenimento/nova-temporada-de-shows-no-tam-celebra-musica-autoral-potiguar.html

https://inordestenoticias.com/2025/07/02/mostra-de-cantautores-da-musica-potiguar-estreia-na-proxima-quarta-9-no-tam/

https://opoti.com.br/mostra-de-cantautores-estreia-no-tam-com-artistas-da-cena-potiguar/

https://papocultura.com.br/mostra-de-cantautores-da-musica-potiguar-estreia-na-proxima-quarta-no-tam/

https://annapaulaandrade.com.br/teatro-alberto-maranhao-recebe-mostra-de-cantautores-da-musica-potiguar-na-proxima-quarta-9/

https://opotengi.com.br/mostra-de-cantautores-da-musica-potiguar-estreia-no-tam-com-esso-alencar-e-trio-toro/

https://arquivosa.com.br/2025/07/mostra-de-cantautores-da-musica-potiguar-estreia-no-tam-com-esso-alencar-e-trio-toro/

https://tribunadonorte.com.br/viver/unindo-geracoes-cantautores-potiguares-se-encontram-na-mostra-da-rpm/

https://www.youtube.com/watch?v=42KGqZ3KqL8

https://gazetademacau.com.br/noticia/821/mostra-de-cantautores-da-musica-potiguar-estreia-no-tam-com-esso-alencar-e-trio-toro

https://blogdolamon.com.br/2025/07/05/mostra-de-cantautores-da-musica-potiguar-estreia-na-proxima-quarta-9-no-tam/

https://agorarn.com.br/natal/mostra-valoriza-musica-autoral-potiguar-no-tam-ate-dezembro/



A LUTA CONTÍNUA

Bruna Garrido (foto)

A RPM (Rede Potiguar de Música) nasceu em 2010. 

O lançamento se deu na Casa da Ribeira, em evento com vários parceiros, incluindo o Sebrae e o público interessado. Sua intenção inicial era acompanhar outros movimentos que vinham se organizando no país àquela altura, para que nós potiguares não ficássemos muito isolados nessa esquina distante do Atlântico. 

Em 2011 criamos a partir da Rede a COMPOR – Cooperativa da Música Potiguar. Através dela participamos de diversas ações, dentre as quais cabe citar os shows coletivos Uníssono (cantado e instrumental), o lançamento de alguns CDs, além da realização da Semana Cultural da Música Potiguar. 

Passado todos os redemoinhos políticos e pandêmicos, cá estamos nós outra vez, acompanhando o movimento de retomada do ambiente cultural brasileiro, que vem se reconfigurando com a recriação do Ministério da Cultura e suas ramificações, embora num contexto muito desafiador e crítico ainda. 

Nessa perspectiva, realizamos no início de outubro passado a II Semana Cultural da Música Potiguar, com uma programação extensa e estratégica, iniciada com um belíssimo momento, que foi a mostra coletiva de música autoral, intitulada Rede Potiguar dá Música (Oito da Noite), no palco do centenário Teatro Alberto Maranhão, aberto à população, sem cobrança de ingresso e com a presença de alunos e professores da rede pública de ensino. Este formato traduz a proposta do Programa de Fomento à Música Autoral Potiguar, que reivindicamos para ser incorporado ao calendário cultural do RN, em programação continuada e com periodicidade definida, inserção no orçamento público e lei. 

A Semana foi continuada com oficina, com uma assembleia do Sindicato dos Músicos/RN, com uma interessante interlocução da Rede com a Escola de Música da UFRN, e fechada com o esfuziante sábado musical do Choro do Caçuá, na praça central Pe João Maria. Tudo faz parte de uma estratégica mobilização do segmento musical para um nível mais aprofundado de institucionalização de uma política pública para o segmento, pautada na autoralidade, estética e profissionalismo. 

Neste 2025 a RPM inscreve uma trajetória de 15 anos e peticiona publicamente às instituições, mesmo as do campo privado, uma experiência no sentido de um investimento no capital musical autoral potiguar. O acervo é relevante, ele apenas não se projetou tanto quanto precisa para fora, e nem para dentro (salvo algumas exceções, de Grafith a Du Souto). 

E por que não? Algumas respostas temos mais fáceis: a cadeia de rádio nos invisibilizou, e continua assim, (com uma ressalva para a FM Universitária). As outras emissoras tocam alguns artistas com quem tem seus acertos, mas a maior produção que fazemos nunca alcançou espaço considerável para ampliar o raio de divulgação necessário. A TV, pior. 

Depois, nunca fomos capazes de estruturar uma política pública para a música, mas o momento exige e é propício. Viram o que a música fez na pandemia?, lembram? Seu papel social transcende uma faixa no spotify. Ela irá repercutir na saúde pública, no fator econômico (com força), na educação em sala de aula, até numa melhor formação cidadã (a depender do seu conteúdo, claro). 

Vejamos o exemplo de Natal, a capital do RN. Realiza editais episódicos para festejos anuais (natal, carnaval, são joão). Inclusive não fez chamada pública para a programação natalina recente, dissimulando sua atuação com um cadastro anual de artistas e bandas, num processo sem clareza e muito menos objetividade e que, enfim, ... Não se admite nenhum retrocesso nessas já tão poucas iniciativas que conquistamos socialmente nos últimos anos. 

Aliás, é preciso mais. É preciso que haja um programa de fomento à música localmente, com música viva nos espaços púbicos, estímulo ao seu profissionalismo e a permanência dessa linguagem como fonte de vida e alimento para um contingente de seres humanos que se dedicam integralmente a este trabalho. Que isso seja possível aqui, em SonGA, em Parná, em Extremoz, em Currais, em Patu, em cada lugar. 

As leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc mostram em números o que dá pra fazer. Embora os gestores ainda estejam apanhando muito, se percebe muito mais trabalho na ponta, com razoável penetração nas comunidades e setores historicamente excluídos. 

Não podemos residir nesse atraso. É inegável que precisamos de projetos nessa área, com urgência. A música é um setor artístico culturalmente muito relevante para o nosso povo, para qualquer povo, na verdade. Mas é muito negligenciado pelo estado brasileiro, em todos os níveis. O Rio Grande do Norte se ressente desse descaso, sem desenho político estruturado para uma cadeia tão produtiva. Qual é o papel de um Dorgival Dantas como embaixador apenas decorativo de uma interlocução com a música, que na verdade nunca existiu na direção dos seus autores? Atendem mais a uma indústria do que propriamente às necessidades que temos de fato, não? 

Até mesmo no contexto nacional, a música recebe uma divisão na Funarte, incapaz de gerir todo o potencial que oferecemos ao país. Há em movimento uma proposta unificada no Brasil pelos músicos organizados: a criação da Agência Nacional de Música e um fundo setorial, que viabilizem uma cadeia estruturante para proporcionar à música brasileira a visibilidade que ela merece, interna e externamente. 

Que este ano novo reforce a nossa luta em busca desses objetivos e nos permita caminhar numa plataforma mais justa para os que exercem essa atividade profissional tão singular, e cada vez e sempre mais importante para o mundo.

Esso Alencar
cantautor
autoprodutor
ativista cultural

II SEMANA CULTURAL DA MÚSICA POTIGUAR

 


II SEMANA CULTURAL DA MÚSICA POTIGUAR

01 a 05 de Outubro de 2024

  

     A II Semana Cultural da Música Potiguar é uma proposta de ação do Núcleo de Produção Cultural Cooperada, realizada através da Rede Potiguar de Música  - RPM, que junto a outros parceiros vem dando seguimento a um processo mais intensificado de discussão, capacitação e fortalecimento da cadeia produtiva da música no estado do Rio Grande do Norte.

 Todas as atividades são autogestionadas, realizadas a partir de um esforço coletivo e solidário através do Núcleo de Produção Cultural Cooperada, envolvendo artistas, produtores, professores, estudantes e entidades parceiras articuladas pela Rede Potiguar de Música. Os eventos são gratuitos e abertos a todas as pessoas interessadas, com exceção da oficina virtual.

 Para compor a programação da II Semana Cultural da Música Potiguar serão realizadas atividades entre os dias 1º e 05 de outubro de 2024, obedecendo ao calendário com a seguinte programação:

1º Outubro, (20h)
REDE POTIGUAR DÁ MÚSICA (Oito da Noite)
mostra coletiva de música autoral
Teatro Alberto Maranhão
 
02 Outubro, (19h)
A MÚSICA NO LABIRINTO DO ALGORITMO: Criando Fugas Coletivas
com Rousi Flor de Caeté (oficina virtual)
inscrição via formulário – R$ 30
 
03 Outubro, (15h)
ASSEMBLEIA GERAL DO SINDICATO DOS MÚSICOS RN
Atualização da Tabela de Cachês 2024
Fundação Hélio Galvão
 
04 Outubro (14h)
A RPM E A VALORIZAÇÃO DA MÚSICA AUTORAL NO RN
EMUFRN (mini auditório Oriano de Almeida)
 
05 Outubro (10h)
CHORO DO CAÇUÁ
Pça. Pe. João Maria 
(encerramento)

REDE POTIGUAR DÁ MÚSICA (Oito da Noite)

  



No dia 1º de outubro, no palco do Teatro Alberto Maranhão, a Rede Potiguar de Música (RPM) realiza a mostra coletiva de música autoral, reunindo vários cantores/compositores da cena artística potiguar, que juntos organizaram-se para apresentar à cidade sua própria música e uma pauta: a criação de um Programa de Fomento para Música Autoral produzida no RN.

Por este motivo, a RPM mobilizou um elenco de músicos, instrumentistas e intérpretes que tocarão suas canções em duetos, dialogando com a proposta do Projeto Oito da Noite, defendido pelo coletivo para ser incorporado ao calendário cultural de Natal, caracterizado pelo encontro de gerações diferentes da música potiguar sob o mesmo palco, em programação regular aberta ao público, especialmente estudantes do ensino médio.

Nesse caso, além da ação simbólica que a noite prioriza, prevalece a beleza singular da música potiguar, interpretada em encontros inspiradores, basicamente com música orgânica, num ambiente estético sóbrio e o mais indicado para momentos dessa natureza.

A lista é extensa: Mestre Gláucio Teixeira, Zé de Cezário e Lulinha Alencar, Mestre Zorro e Pedro Neto, Antonio Ronaldo e Antoanete Madureira, Rousi Flor de Caeté e Natália Gonçalves, Iury Matias e Cínthia / Ana Tomaz, Ricardo Menezes e Clara Menezes, Carlos Zens e Fernandinho Régis, Ismael Dumang e Jo Bay, Esso Alencar e Wescley Gama. A ficha técnica completa ainda inclui Júlio Lima, coordenando o palco, Castelo Casado operando a luz, Wallace Regis como operador de som, além de Esso Alencar, na produção geral.

A RPM foi criada em 2010 e no ano seguinte fundou a COMPOR – Cooperativa da Música Potiguar (2011-2015). Com o passar da pandemia, a Rede vem fazendo gradativamente uma retomada de suas ações, encampando nessa primeira semana de outubro a II Semana Cultural da Música Potiguar (programação anexa), com uma gama de atividades todas voltadas para o âmbito de sua causa: a estruturação de uma política pública para o segmento.

Para viabilizar toda a execução foram necessárias várias parcerias, construídas através do Núcleo de Produção Cultural Cooperada, incluindo a FEL Produções de Arte, Grupo Teart de Teatro, Beju Produções, Casas da Flor, Paulo Lima Produção Audiovisual, além de eventuais apoios mais pontuais, não menos importantes. Cada músico também está se responsabilizando pela sua própria participação. 

O evento é uma iniciativa autônoma que conta com a cessão do teatro pela Secult-RN/FJA, dispondo de entrada gratuita, disponível ao público na plataforma Sympla até o dia 30 de agosto, via link: https://www.sympla.com.br/rede-potiguar-da-musica-oito-da-noite__2620656.

As senhas deverão ser retiradas na bilheteria do teatro uma hora antes do evento.


PONTE SONORA - Intercâmbio Musical RN/PB



Nesta quinta, 15 de agosto, às 20 hs, artistas potiguares e paraibanos se unem através de uma ponte sonora, numa cooperação entre artistas da Rede Potiguar de Música e ex-integrantes do Musiclube da Paraíba. A temporada estreia no Eletromusic Pub, em Natal, e vai até novembro, com uma edição mensal em cada local. Em João Pessoa será dada a largada no Café da Usina, na sexta, 23, com show de Esso Alencar.

O projeto é voltado para um diálogo musical entre as produções musicais da Paraíba e do Rio Grande do Norte, e proporciona aos públicos das duas capitais o encontro entre a produção musical autoral das músicas paraibana e potiguar.

Ponte Sonora é um projeto autogestionado, viabilizado através de parcerias articuladas pelo Núcleo de Produção Cultural Cooperada (NPCC) através de diversas parcerias que incluem a FEL Produções de Arte, a Casas da Flor, Cida Lobo & Edinho Oliveira, o Bardallos, alguns artistas paraibanos que integraram o Musiclube da Paraíba, o Eletromusic Pub e o Café da Usina, além da Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba.

A entrada está condicionada à lotação do local.

R$ 30 

POR UMA AGÊNCIA NACIONAL PARA A MÚSICA BRASILEIRA

 


O Fórum Nacional de Música (FNM) é o embrião das diversas formulações que se deram na política pública para o segmento, com atuação mais acentuada durante o exercício de Gil no MinC. Continuada, sua articulação levou ao plenário da 4ª Conferência Nacional de Cultura, em março passado, a proposta da criação de uma agência nacional para a música brasileira.

A proposição nasceu justo dos documentos resultantes de todo o processo que se deu na primeira década do século - calendário que se extraviou na segunda, mas reaberto agora, meados atuais - , constante nos relatórios que idealizaram o Plano Setorial de Música, construído a muitas mãos por delegados de praticamente todos os estados do país e do Distrito Federal.

Considerada uma meta ambiciosa, a Agência Nacional de Música assumiria um papel institucional que a linguagem ainda não conseguiu estabelecer no intrincado organograma da política pública nacional, fazendo frente a um cardápio imenso de demandas históricas que essa cadeia produtiva almeja justificadamente. Afinal, a música desempenha um papel importantíssimo no cenário cultural brasileiro, diversificado e abrangente, dos rincões sertanejos às urbes, protagonizando uma função social insubstituível. É também uma gigante na economia, com significativa parcela no PIB, se aproximando da mesma faixa do setor automotivo, segundo levantamento recente que surpreendeu especialistas.

É, enfim, a música, esse agente transformador dotado de potencial robusto para ser melhor acolhido no ambiente da política institucionalizada, por se tratar de uma expressão cultural muito representativa dos brasileiros, ao lado do futebol emblemático. Sua singularidade como recurso educativo também se manifesta essencial para o currículo escolar, demonstrando-se ferramenta didática excepcional para a formação pessoal.

Munidos desses fatores genéricos e alinhando as necessidades cotidianas dos milhares de cantores, compositores, instrumentistas, arranjadores e intérpretes que protagonizam a linha de frente dessa arte, o FNM encampou essa bandeira como sua principal estratégia na batalha que vem travando desde que se organizou, há quase vinte anos. Várias outras lutas já foram pautadas ao longo desse tempo, especialmente nos rumos do direito autoral e em temas mais polêmicos, como o previdenciário, mas as conquistas são suadas e exigem dos próprios músicos uma articulação imprescindível.

As funções e o papel definitivo de um órgão dessa natureza na estrutura da música produzida aqui estão sendo discutidas e amadurecidas diante da complexidade que o setor representa, envolvendo os artistas em si, além de outras instâncias representativas, como sindicatos e associações da categoria, que precisam lutar em conjunto. É esperado uma contribuição da sociedade nesse debate, e que se manifestem também as instituições em suas diversas instâncias, inclusive aquelas que lidam com as pautas do campo musical.

A esse momento também são bem vindas as questões que envolvem o ofício do músico no país, o papel da linguagem artística no social, a atual indústria musical (dados/ perspectivas), fonógrafos virtuais, direitos trabalhistas, fatores econômicos, educativos, espirituais, e até a inteligência artificial. Por que não?

Nossa música carece com urgência desse tratamento, que vise sanar de vez com imbróglios como o da OMB (Ordem dos Músicos do Brasil), autarquia criada no governo de Kubitscheck e logo em seguida sequestrada por temerários (com os pés dentro da ditadura), o que fez com que a trajetória da entidade perdesse o seu rumo, e mergulhasse em densas nuvens até hoje. Já há organização sindical, mas tem baixa representatividade e não possui uma federação unificada.

São estes e outros pontos que deverão convergir para uma reflexão e discussão acerca da Música, a que fazemos, à qual nos dedicamos com ‘ardor’ profissional, que é responsável por uma série de trabalhos diretos nos palcos, nos estúdios, e indiretamente a outros tantos, nas lojas de música, nas fábricas de instrumentos, nas vendas dos acessórios, tornando-a uma potência econômica de grande envergadura.

Há ainda especialmente o valor simbólico, que dá à música um significado essencial no contexto cultural, sensibilizando a alma humana, vínculo com a afetividade, de mensagem individualizada a veículo diplomático, servindo como um elo intrínseco à experiência vivente no planeta (como Nietzsche já dizia).

Embora se trate de um desafio considerado, a criação da agência vai mobilizar sua base e argumentar pela adoção de uma política nacional efetiva para dar conta de cuidar com maior atenção desse bem tão singular, reconhecido mundialmente. Internamente, ainda será preciso alcançar um patamar para além do mero aplauso.

No meio do caminho, há um processo político, que exige a unidade de qualquer categoria.

É grande a missão, mas é enorme o prestígio que a música dá ao Brasil.

 

 Esso Alencar  (cantautor)

 

 

FEIRA DA MÚSICA LOCAU!


Feira da Música Locau!


Neste 29 de julho, último sábado do mês, estreia essa nova alternativa à agenda cultural de Natal, que faz parte de uma articulação da Rede Potiguar de Música para dar visibilidade às pautas para uma política pública pro segmento, seja no município ou estado.

A iniciativa é do Núcleo de Produção Cultural Cooperada, numa parceria da FEL Produções de Arte e do Seburubu, onde terá sede o evento, à Av. Deodoro, 307.

Prevista para iniciar às 10h, a Feira pretende atrair os músicos e demais interessados para abrir parcerias e estabelecer um ambiente de negócios, seja com venda de discos, camisetas, troca de objetos e afetos etc.   

Segundo Esso Alencar, idealizador, o evento chama a atenção para a realidade profissional dos músicos no mercado e também aponta para a necessidade de uma política pública com foco na música autoral.

A atração musical dessa primeira Feira será no seu encerramento, às 18h, com a apresentação de Ismael Dumang. Compositor versado nas temáticas regionais, sociais e políticas, seus lançamentos (desde 1996) lhe conferem um acento particular, no manuseio das rimas e nas paisagens sonoras ritmadas. Sua terminologia própria revela originalidade e o distingue na produção musical autoral potiguar. 

Os ingressos para o show de Ismael Dumang podem ser adquiridos antecipadamente no próprio local.

A entrada para a Feira é gratuita até as 17h.

 

 

POLÍTICA PÚBLICA PARA A MÚSICA DO RN


 



POLÍTICA PÚBLICA PARA A MÚSICA

DO RIO GRANDE DO NORTE 

Desenvolvimento e Difusão da Música Potiguar 

 

A REDE POTIGUAR DE MÚSICA, entidade informal criada em 2010 na cena da música potiguar, continua sua jornada em busca de construir e afirmar uma política pública para o segmento, consolidando um avanço concreto no desenvolvimento de nossa arte e promovendo a nossa produção. 

 

1 Efetivação de um programa para a música autoral, a ser realizado contínua e regularmente, numa edição mensal, reunindo diferentes gerações de cantautores, instrumentistas e intérpretes: Oito da Noite; 

2 Criação da Agência Estadual de Música, com a perspectiva de viabilizar atividades que ensejem a economia criativa na cadeia produtiva da música potiguar: II Semana Cultural da Música Potiguar (incluindo a Feira da Música Local); 

3 Realização de uma atividade de circulação, com intercâmbio entre músicos de diferentes regiões do RN, ocupando os teatros, auditórios e praças dos municípios, descentralizando as apresentações musicais e possibilitando uma maior divulgação de nossa produção: CIMA – Circuito Itinerante de Música Autoral; 

4 Formação de um grupo de trabalho com vistas a estudar mecanismos que visem a estruturação de um Acervo da Música Potiguar, para garantir o registro e preservação da nossa memória sonora: Roteiro Musical Diário; 

5 Destinação de um espaço físico na capital, com capacidade para 100 lugares, com o fim de disponibiliza-lo para atividades ligadas à nossa música (oficinas, shows, palestras, filmes etc). 

 

 

PROJETO ‘OITO DA NOITE’

O Projeto Oito da Noite consiste numa mostra musical que possibilita o encontro de uma nova geração de compositores e intérpretes radicados no Rio Grande do Norte com outros artistas mais antigos do estado que ainda estejam em atividade, permitindo uma maior interação entre diferentes gerações da produção musical potiguar.

O projeto também tem como foco o fomento à profissionalização do músico, dando-lhe a oportunidade de trabalhar alternativas sustentáveis ao desenvolvimento de suas carreiras.

  

AGÊNCIA ESTADUAL DE MÚSICA RN

A Agência Estadual de Música tem por finalidade propor a formulação de políticas públicas e contribuir com sua execução, com vistas a promover a articulação dos diferentes setores sociais, inclusive o governamental, para o desenvolvimento do segmento musical potiguar, integrando sua cadeia criativa e produtiva, visando o fomento das atividades relacionadas com o conjunto de ações ligadas ao trabalho e interesses destes profissionais organizados.

A proposta se fundamenta no princípio da democratização da gestão cultural e das práticas musicais, constituindo-se em um espaço permanente de diálogo da classe musical com os demais segmentos da sociedade civil, na formulação e execução de políticas para a música produzida no Rio Grande do Norte.

 

SEMANA CULTURAL DA MÚSICA POTIGUAR

A Semana Cultural da Música Potiguar é uma proposta de ação da Rede Potiguar de Música em parceria com outros órgãos ligados à promoção da arte musical, que pretende dar seguimento a um processo mais intensificado de discussão, capacitação e fortalecimento da cadeia produtiva da música no estado do Rio Grande do Norte.

https://redepotiguardemusica.blogspot.com/2012/03/programacao-da-semana-da-musica.html

 

FEIRA DA MÚSICA LOCAL

A Feira da Música Local é um evento que pretende reunir com periodicidade definida os profissionais do setor musical, atingindo todos os envolvidos com a Cadeia Produtiva da Música, incluindo fabricantes de instrumentos, locadores de som e luz, estúdios de ensaios e gravação, instrumentistas, compositores, arranjadores, intérpretes, produtores executivos, lojistas e artesãos, enfim todos aqueles que de alguma maneira atuam nessa área artística e em torno dos seus serviços.

 

CIMA – CIRCUITO ITINERANTE DE MÚSICA AUTORAL

Circulação musical da produção autoral pelo estado, alcançando um público além da capital, abrindo uma rota de maior interação entre a música potiguar, envolvendo uma cadeia de artistas e produtores que apostem nesse formato mais autônomo de aproximação do público estadual com os artistas potiguares, via processos coletivos que engajam, dinamizam e socializam através das redes de compartilhamentos e das apresentações presenciais.

https://circuitoitinerantedemusicaautoral.wordpress.com/

 

ELEFANTE ELEGANTE

https://audiorradio.wixsite.com/poti/elefante-elegante

 

ROTEIRO MUSICAL DIÁRIO

https://roteiromusicaldiario.wordpress.com/

Música e Diálogo


A Música Potiguar vai se reunir com a FJA nessa quarta (15 de Abril, 18h), para o diálogo cultural que a instituição vem fazendo com os segmentos artísticos no estado. Semana passada, em reunião da Rede Potiguar de Música – RPM, que teve como pauta inclusive a rearticulação do Fórum Permanente de Música FPM/RN, foram definidos os principais eixos que servirão para embasar as propostas relativas à efetivação de uma política pública para a área, tanto na capital quanto no interior: Circulação e Registro.

Nesse sentido, em atenção a demandas que atendam aos mais diferentes gêneros e diversificações existentes na música daqui, esses 2 pilares poderão por ora dar sustentação a um movimento estruturante para o setor, possibilitando que a partir dessas duas alternativas seja viabilizado e implementado um programa que dê suporte por parte do poder público a uma atenção necessária e merecida à nossa produção musical.

Historicamente, não tivemos até então qualquer período em que um apoio das instituições culturais haja contribuído de maneira determinante para a promoção de nossa cena musical, a não ser através de acordos de compadres, o que minimizou o alcance do que nossos artistas poderiam ter realizado se tivessem a algum tempo contado com um incentivo mais estratégico. Não deu. Mas nunca é tarde para começar, e se até ontem foi assim, ainda é tempo de perceber que desse jeito não pode ficar.

Sem dúvida, faltou amadurecimento dos próprios músicos no que diz respeito a uma unificação de prioridades, em detrimento de um entendimento egoísta que quando muito trouxe benefícios a um pequeno grupo, quando não a uma só personalidade com alta influência e bom trânsito nos gabinetes. Mas uma nova oportunidade se abre com o advento da implantação do Sistema Nacional de Cultura, e em contrapartida, dos próprios sistemas municipal e estadual, uns sendo gestados outros já em andamento, permitindo a sociedade civil uma maior participatividade, se organizada.

Assim, estamos convictos de que para cessar a inércia estendida através dos incontáveis anos em relação à ausência de uma política pública para a música do RN, se faz inadiável a disposição dos interessados em fortalecer essa articulação com os agentes dos governos, em suas três esferas (Município, Estado, União), apresentando uma cartilha com intenções claras e objetivos realistas, fazendo com que possamos nos dar as mãos e dar continuidade a essa caminhada, com passos que estejam ao alcance de nossos pés.


Esso Alencar

REDE POTIGUAR DE MÚSICA
FÓRUM POTIGUAR DE MÚSICA
COOPERATIVA DA MÚSICA POTIGUAR



2012/2013


 salve moçada da rede,

que a todos o ano de 2013 possa trazer boas novas e conquistas importantes!

seg transcrito abaixo o mais completo relato sobre a reunião do CNPC com mais enfoque para o setorial de música, traçado pelo Nicolau Amador, lá do Pará:


MNISTÉRIO DA CULTURUA REALIZA ENCONTRO E RENOVAÇÃO DOS COLEGIADOS SETORIAIS
Soft Power: A ministra Marta Suplicy
na abertura da reunião dos "Fóruns
Setoriais", em Brasília.
Os Colegiados Setoriais de Cultura, instâncias consultivas que compõem o Plano Nacional de Cultura (cuja instância superior é o Conselho Nacional de Políticas Culturais – CNPC), tem nova configuração desde o último dia 15 de dezembro quando encerraram as reuniões convocadas em Brasília pelo Ministério da Cultura. Neste texto pretendo registrar os fatos mais importantes ao processo, principalmente, aquilo referente ao Colegiado Setorial de Música (CSM), do qual fiz parte como membro nato desde 2005 e do qual me despedi este ano deixando novos colegas no lugar. Também registro as falas da nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, e do presidente da Funarte, Antonio Grassi, que esteve presente à reunião do CSM.
O encontro reuniu cerca de 450 delegados de todos os 17 colegiados (Design, Música, Teatro, Culturas Populares, Dança, Artesanato etc.), eleitos em processo eleitoral pela internet– onde a dificuldade do sistema criado pelo Minc e a burocracia exigida eliminou mais da metade dos eleitores aptos a votar e muitos candidatos. Essa dificuldade, fora as dificuldades de locomoção e passagens de muitos delegados, foi um dos principais motivos de críticas dos delegados na cerimônia de abertura, onde o diretor do departamento de participação social da Secretaria Nacional de Articulação Social da Secretaria Geral da Presidência da República, Pedro Pontual, falou sobre democracia participativa e democracia representativa, e expôs as ações do governo federal para promover a participação popular no processo de decisões em várias instâncias.
Apesar da boa vontade demonstrada por Pontual e o Secretário de Articulação Institucional, João Roberto Peixe, as críticas se sucederam até que eles não tivessem mais tempo de responder, pois havia acabado o tempo e era a vez da cerimônia com a participação da ministra. Além dos delegados, havia observadores como a antropóloga Lorena Avellar, que prepara a tese de doutorado na USP sobre políticas públicas na área cultural.
Uma das críticas que também ressoaram no salão do Centro de Eventos e Convenções Brasil 21 foi a da delegada paraense Edna Marajoara, que reclamou da falta de institucionalização do “custo amazônico” nas diretrizes do Plano Nacional de Cultura por parte do CNPC. Produtores, artistas e gestores criticam veladamente o conceito por acharem ora uma forma de privilegiar a região amazônica sobre as demais, ora por dizerem que não sabem exatamente do que se trata esse custo.
Fato é que o custo amazônico foi aprovado como diretriz por grande número de votos na última Conferência Nacional de Cultura, dois anos atrás. Apesar disso, o CNPC não validou a institucionalização do conceito – apesar do Minc ter iniciado um programa compensatório com o edital para micro projetos culturais para a Amazônia Legal. A defesa de uma política de desenvolvimento artístico e cultural para a Amazônia foi defendida e tem sido reiterada pelos representantes do Fórum Permanente de Música do Pará como eu, Augusto Hijo e Gláfira Lobo, além de muitos outros representantes que vem participando do processo de construção de uma política nacional de cultura desde 2005, quando foram criadas as câmaras setoriais. Considero-o, antes de um conceito econômico, um investimento e uma compensação pela exploração dos recursos naturais e pela omissão histórica da cultura regional como parte de suposta identidade nacional. Se falarmos de soft power, como explicitaremos mais adiante, o potencial é grande. Sem negar, de forma alguma, a contribuição que a cultura das demais regiões dão ao país.
No final, não obstante as críticas, delegados e gestores pareceram chegar a um consenso em que, apesar das falhas, a participação democrática tem sido, na maioria dos casos e a despeito das mudanças promovidas pela ministra anterior, favorecida pelo Minc. Pelo menos a impressão que tivemos é que o carisma e a desenvoltura política da nova ministra Marta Suplicy traz mais segurança ao setor.

O soft power de Marta Suplicy
 
A ministra recebeu de presentes
um Búfalo de balata, tipo de látex
que só dá nas seringueiras do Marajó.
A abertura oficial da reunião dos colegiados setoriais de cultura (chamados erroneamente pelo próprio Minc de Fóruns Nacionais Setoriais) ocorreu pela parte da noite do dia 13 de dezembro, depois das palestras dos gestores e das críticas dos delegados, com a participação da ministra Marta Suplicy e de mais duas mulheres: Rosa Coimbra, representando a participação da sociedade civil no CNPC, e a deputada Dorinha Seabra Resende, representando a frente parlamentar em defesa da cultura e a comissão de educação e cultura. Silvestre Ferreira, da Fundação Cultural de Joinville e presidente do Fórum Nacional dos secretários de dirigentes municipais de cultura das capitais e regiões metropolitanas, completou a formação da mesa.
Rosa Coimbra reiterou o apoio do CNPC ao governo, apesar de ressaltar que nem todas as demandas tem sido atendidas. Dorinha falou sobre a frente parlamentar, que é suprapartidária e tem conseguido mobilizar muitas questões dentro do Congresso Nacional como a aprovação recente do Vale Cultura, que chegou a ser anunciado ainda no governo Lula mas que ainda depende de regulamentação. Ferreira empenhou apoio dos secretários.
Mas a fala que todos aguardavam mesmo era a da ministra, que imprimiu um tom descontraído e informal ao seu discurso. “Eu estou aqui, conversando com vocês, esperando que a gente possa, junto, entender melhor o processo”, dizia ela.
Marta falou da marca que quer imprimir à sua gestão. Ressaltou as dificuldades de execução de orçamento e de falta de interação política e institucional da pasta, e contou como tem contado com apoio da frente parlamentar, do presidente do senado José Sarney e da equipe do ministério, que pouco se alterou com a sua chegada recente. “Demos sorte que ele também é da área”, disse, relembrando a verve literária do ex-presidente da República e ressaltando a importância dele nas articulações políticas para a aprovação do Vale Cultura, que ainda depende do convencimento das empresas que podem ou não adotar o sistema.
O contingenciamento orçamentário da pasta e a falta de habilidade das organizações culturais com a gestão financeira dos projetos foram apontados pela ministra como algumas das dificuldades de implantar uma marca forte. Mas ela anunciou orgulhosa que àquele momento o ministério chegava ao recorde de 96% de execução do próprio orçamento.
Falou que o ministério vai implantar os projetos mesmo que as organizações culturais não tenham fôlego e convocou os municípios e as instituições a pedirem ajuda se for preciso. “Se não tiver produtor capacitado para executar os projetos, nós vamos até lá”,ressaltou a ministra. O anúncio parece coincidir com o edital de seleção de 114 produtores culturais para trabalhar no ministério lançado recentemente.
Mas foi quando falou da implantação dos CEUs das Artes no exterior que Marta Suplicy reiterou a vocação de sua gestão para o desenvolvimento integrado entre a economia criativa e a educação. Para quem não sabe, os CEUs são “centros unificados” que nasceram do conceito dos Centros Educacionais Unificados, implantados por Marta quando foi prefeita de São Paulo. A cidade conta hoje com mais de 40 CEUs que oferecem educação integral, esportes, assistência e cultura aos alunos da periferia. Marta já começa a implantar CEU’s pelo Brasil e contou como a prefeitura de Lisboa, em Portugal, lhe ofereceu um terreno para a construção de um CEU lá, disseminando a cultura brasileira. “Quando chegamos na França, o embaixador disse que já sabia que nós íamos construir um CEU em Portugal e perguntou porque não fariam o mesmo em Paris. Eu disse que não tínhamos perna para isso, e eles nos ofereceram também um terreno para implantar um CEU em Paris, e agora temos mais um CEU para implantar na Europa”, disse a ministra.
Ela mesma contou das críticas a respeito de investir dinheiro da cultura no exterior e disse que era importante, que era soft power. “O pessoal da economia criativa sabe do que estou falando”, afirmou a ministra.
A partir da página 12 do livro“Mainstream – A guerra global das mídias e das culturas” (Civilização Brasileira, 2012), o sociólogo francês Frederick Martel, um entusiasta das indústrias criativas, explica o conceito de soft power através do cientista político americano Joseph Nye, então presidente da Kennedy School, “a prestigiosa escola de ciências politicas e diplomacia”sediada em Harvard. Nye analisou a “interdependência complexa” das relações entre os países numa época de globalização e inventou o conceito de soft power, que serve ao governo de Barak Obama atualmente. Consiste em uma estratégia de sedução que dá poder e está baseada na cultura e não mais na força militar, o hard power. Segundo o cientista, “o soft power também é a influência por meio dos valores como liberdade, democracia, individualismo, o pluralismo da imprensa, a mobilidade social, a economia de mercado e o modelo de integração das minorias nos Estados Unidos.”
Assim, temos uma ideia do que será a marca de Marta com os CEUs – em que ela pediu para não economizar, pois, segundo ela, é com instalações e equipamentos de ponta que a prática das artes deve se desenvolver entre os jovens.
 
A renovação do colegiado de música

 
Delegação Norte do Colegiado de
Música: Nicolau, Wertemberg ,
Hijo e Luciano Souza.
Dada a dificuldade de participação pelo processo eleitoral implementado pelo Minc, praticamente ao mesmo tempo em que a ex-ministra Ana de Hollanda caia e ascendia Marta Suplicy, muitos dos 17 colegiados setoriais ficaram incompletos. Cada colegiado é formado por 30 membros, sendo 15 titulares e 15 suplentes. O colegiado setorial de música contou com a participação efetiva durante as discussões e o processo eleitoral de 32 delegados e membros natos – aqueles que participam do processo desde a implantação das câmaras setoriais em 2005. Destes, quatro membros natos em segundo mandato não poderiam participar da renovação dos colegiados, entre eles o mineiro Makely Ka, o goiano Du Oliveira, o representante do Paraná Manoel Souza Neto e eu. Apesar disso colaboramos substancialmente para a fluidez do processo, acredito.
Assim sendo o processo eleitoral tomou início, não sem antes o ator Antonio Grassi, atual presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte), braço institucional do Minc que organiza os colegiados/câmaras desde 2005, receber e responder a algumas críticas. Tudo parte do processo democrático, que eventualmente demonstra alguns gargalos políticos setorizados ou talvez regionalizados. Grassi respondeu principalmente sobre a desarticulação da Rede Música Brasil e a ausência da Feira Música Brasil, e de algumas feiras regionais. Aceitou a sugestão de Makely Ka para construir um Seminário Nacional da Música.
De volta à reconstituição do colegiado, como não havia delegados suficientes para uma disputa mais acirrada, alguns membros natos tentaram mais uma vez repetir o consenso promovido por amplas discussões entre o Fórum Nacional da Música e o Circuito Fora do Eixo na última pré-conferência nacional de cultura, em 2010, onde foram eleitos os delegados que agora deixaram o cargo. Esse “consenso” encontrou, na minha opinião, muitas dificuldades de ser executado e acabou por colaborar por um esvaziamento do FNM e um afastamento do CFE depois que Juca Ferreira deixou a pasta sendo substituído por Ana de Hollanda. Nesta reunião havia três membros do Fora Eixo, inclusive Ney Hugo, ex-baixista da banda Macaco Bong, que atualmente conduz os trabalhos do coletivo no Rio Grande do Sul.
Grassi, da Funarte, rebatendo
críticas. Ele prometeu Seminário
Nacional de Música
O rodízio entre titulares e suplentes foi a priori mantido mas é um acordo entre os delegados, que depende deles e não do Minc. Dessa forma, sugeri que seguíssemos a proposição do CNPC e elegêssemos primeiramente as representações regionais, já que cinco dos 15 titulares do colegiado são representantes regionais. Cada região, então, se reuniu e elegeu seus representantes. A região Centro-Oeste contou com apenas uma representante em todo o colegiado, a produtora Alexandra Capone, irmã do saudoso Tom Capone. A região Norte teve apenas três representantes aptos no processo: o paraense Augusto Hijo e Wertemberg Nunes e Luciano de Souza, ambos do Tocantins (O Pará teria mais um representante apto, o produtor Márcio Macedo, mas este não pode participar da reunião, pois as datas foram alteradas e ele tinha um compromisso em Belém com o show do Cabloco Muderno de Marco André).
O representante da região Norte escolhido foi o paraense Augusto Hijo que a princípio ficou sem suplente, assim como Alê Capone. A compositora Ana Terra, do Rio de Janeiro, foi escolhida pelo Sudeste, e o professor e compositor Ricardo Bordin foi eleito pelo Sul. Val Macambira foi o representante do Nordeste. Cada regional indicou ainda um delegado para ocupar uma vaga do colegiado representando também os setores criativo, produtivo ou associativo. A indicação da região Norte foi Luciano, que é presidente do Sindicato dos Músicos do Tocantins e participa da Federação Nacional de Cooperativas de Músicos.
Depois de escolhidos os representantes regionais foi a vez de eleger os outros cinco titulares, que foram eleitos no voto. A indicação da região Norte, o músico e produtor Wertemberg Nunes, foi o segundo mais votando com 14 votos, atrás apenas do maestro Amilson Godoy, de São Paulo, que teve 19 votos. Atrás dele teve Ney Hugo (12 votos), Gabriel Alves (11), Aládia Quintella e José Raimundo Alves (ambos com 10 votos) – cada delegado votou em três nomes já que eram seis vagas restantes, uma vez que a região Centro-Oeste não pôde indicar outro membro.
Val Macambira e Aílson Godoy,
novos membros do CNPC, com João
Roberto Peixe, da SAI.
Por fim, depois de uma maratona de debates que incluiu a tentativa de incluir mais dois membros como suplentes que ficaram impossibilitados de chegar para a reunião por algum motivo – em geral por conta da dificuldade do próprio Minc em conseguir passagens para todos – o novo colegiado elegeu no voto os dois indicados ao Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC). Os escolhidos foram o maestro Amílson Godoy, representando a música erudita, e o baiano Val Macambira, representando a música popular. Os suplentes ao CNPC, a câmara alta da cultura no Minc, foram, respectivamente, Luís Felipe Gama, da cooperativa de música de São Paulo, e a produtora Alê Capone.
Uma das primeiras ações de membros dos colegiados e outros agentes engajados no processo é uma reunião em janeiro, no Rio, com a direção da Funarte para a elaboração de um Seminário Nacional da Música, a que propusemos etapas regionais antecipando a ação.
Meu relato não seria completo ainda se não registrasse que houve críticas implícitas e explicitas ao modo como FNM, CFE e outras organizações conduziram o CSM promovendo certo esvaziamento do mesmo, para o que muito colaborou também a gestão conturbada de Ana de Hollanda. Principalmente Manoel Souza Neto e Malva Malvar, de Sergipe, frisaram a necessidade do CSM promover uma mobilização e um debate aberto com as bases do fóruns, sempre difíceis de mobilizar. Ações práticas como a conduzida por Val Macambira e correligionários da Bahia e por Ale Capone, juntamente com o governo do DF tem tido êxito. Acho que o novo momento também coincide com uma nova articulação do Fórum Municipal de Belém, que reúne vários membros dos colegiados. Parece um novo momento. Tenhamos esperança e vontade de trabalhar.