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Artistas de São Gonçalo do Amarante Promovem 3° Fórum Municipal de Cultura


Construindo Uma Política Pública de Cultura



No dia 13 de abril de 2012 será realizado no Teatro Municipal Poti Cavalcanti (Rua Alexandre Cavalcanti), das 8h às 17h, o 3° Fórum Municipal de Cultura Aberto à sociedade, com entrada franca, o evento será promovido e coordenado pelo Grupo PeduBreu, membro da Rede Potiguar de Música, e a Republica das Artes.
 
O principal objetivo é subsidiar as discussões e princípios para a elaboração, consolidação e fortalecimento do Plano Municipal de Cultura, Conselho Municipal de Política Cultural e Fundo Municipal de Incentivo a Cultura.
 
Em sua terceira edição, o Fórum Municipal de Cultura terá como intuito avaliar as diretrizes traçadas no 1° e 2° Fóruns (2005 e 2010), como também na primeira Conferência Municipal de Cultura em 2010. Dentro destas propostas e novas metas para o desenvolvimento político-cultural em São Gonçalo do Amarante, Será solicitado à gestão municipal a assinatura do Acordo de Cooperação Federativa do Sistema Nacional de Cultura – SNC. Assumindo assim o compromisso de criar e implantar, até 31 de Dezembro de 2012, pelo menos cinco componentes básicos: Secretaria de Cultura ou órgão equivalente, Conselho Municipal de Política Cultural, Conferência Municipal de Cultura, Plano Municipal de Cultura e Sistema Municipal de Financiamento da Cultura (tendo o Fundo Municipal de Cultura como seu principal mecanismo). Estes instrumentos fortalecem institucionalmente as políticas culturais da União, Estados e Municípios, tendo em sua estrutura básica a participação da sociedade civil articulada na garantia de direitos culturais, conforme estabelece a Constituição Brasileira de 1988.
A programação do evento inclui palestras e debates a serem conduzidos por autoridades no âmbito da cultura local. Durante o Fórum serão realizadas apresentações culturais, por artistas do município, e haverá ainda um espaço para exposições fotográficas das expressões culturais do RN.
Ao final do evento será preparado um documento, que servirá para fomentar a elaboração do Plano e do Conselho Municipal de Política Cultural, que já vem sendo proposto pelos artistas desde 2005, destacando as demandas dos agentes envolvidos.




Contatos da Coordenação Executiva
Aldair Miranda - (84) 8722 1791
Gláucio Teixeira - (84) 8809 0452
Lenilton Lima - (84) 8731 8500

♪♫ Acre: Primeiro Estado a Aprovar Sistema Estadual de Cultura

A Assembleia Legislativa aprovou nesta quinta-feira, 21, pela unanimidade dos deputados presentes à sessão, o parecer 45 do projeto de lei que institui o Sistema Estadual de Cultura, cria o Programa Estadual de Incentivo e Fomento à Cultura e estabelece novas diretrizes para a política cultura no Estado do Acre. O PL segue agora para redação final e sanção do governador Binho Marques. "Estamos aqui, com essa votação unânime dos deputados presentes, marcando um novo momento para a cultura do nosso Estado", disse o presidente da Mesa Diretora da Aleac, Edvaldo Magalhães.

A formatação da lei, demandada pela sociedade e apresentada pelo governador Binho Marques, está em consonância com o artigo 203, da Constituição Estadual, cria o Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (Precult), o Fundo Estadual de Fomento à Cultura (Funcultura), revoga as disposições relativas à cultura da Lei Estadual nº 1.288/1999 e estabelece diretrizes para a Política Estadual de Cultura. O projeto, na avaliação da Fundação Elias Mansour, preenche uma importante lacuna jurídico-normativa no Estado porque a Constituição do Acre dispõe que o Estado deve organizar sistemas integrados de arquivos, bibliotecas, museus, rádios, televisões educacionais e casas de cultura.

De acordo com o presidente da Fundação Elias Mansour, Daniel Zen, que comemorou a aprovação do projeto, a nova legislação irá criar uma série de instrumentos para a gestão da área cultural no Estado, incluindo conselhos, conferências e planos de cultura. Ele disse ainda que os repasses para a área que hoje estão na faixa de R$ 1 milhão por ano passarão a ser de R$ 2,5 milhão, permitindo o desenvolvimento de uma gama maior de projetos.

O destaque do processo é que o projeto de lei foi amplamente debatido e discutido na 2ª Conferência Estadual de Cultura, em 2009, que sucedeu as Conferências Municipais de Cultura em todos os municípios, onde também foi avaliado e recebeu propostas. O projeto regulamenta o Fundo Estadual de Fomento à Cultura (Funcultura), parte do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura, estabelecendo que 0,5% da receita tributária líquida do Estado. Sobretudo, o fundo estabelece as reformas necessárias e amplia o alcance da atual Lei Estadual de Incentivo à Cultura, importante instrumento para financiamento de programas e projetos comunitários e ações a serem realizadas nos municípios. "A lei do Sistema Estadual de Cultura é de uma amplitude muito grande, algo muito positivo para a área de cultura", disse Daniel Zen.

♪♫ Artistas defendem organização da classe e preparo dos gestores

Reunião na manhã desta segunda-feira (20) debate questões pertinentes “Por Uma Política Cultural Para a Grande Natal”.

Encontro se deu na unidade do IFRN da avenida Rio Branco, Centro.

Cientes da fragilidade e escassez de políticas culturais, artistas da região metropolitana se reuniram para discutir questões pertinentes para a construção de uma política cultural para a Grande Natal. O encontro se deu durante toda a manhã desta segunda-feira (20), na unidade do IFRN da avenida Rio Branco, Centro. De acordo com o músico Esso Alencar, membro-fundador do Grupo Locau – organizador do evento – a discussão se apoia em dois pontos fundamentais: a organização da classe e o preparo dos gestores.

“O debate é sempre bem vindo. Temos que deixar de ser apenas críticos, e nos mobilizar. Este ainda é um momento primário de nossa organização, e temos uma tendência muito grande à dispersão”, disse. Quanto às ações para chamar a atenção dos governantes, Esso sugeriu que os grupos fossem às Câmaras Municipais das cidades que compõem a Grande Natal. “Se eles não vieram discutir com a gente, vamos até eles dizer quais são nossas reivindicações”.

Em uma intervenção, o músico Carlos Freitas – mais conhecido como Carlinhos Zens – destacou ainda o despreparo dos gestores. “Acompanhei os candidatos ao Governo falando sobre cultura, e nem eles sabem ao certo o que dizer. A gente fica assustado: esse pessoal acha que cultura é artesanato”, criticou.

Outra das reclamações dos artistas presentes era de que, sempre que era tentado um canal de conversa com as autoridades, eles eram vistos como adversários por discordar de pontos defendidos pelos governantes. “Temos também que ir às ruas, senão vamos continuar chamando a atenção sempre das mesmas pessoas, e nada vai mudar”, completou.

Já Anderson Leão, diretor da Companhia Gira Dança, ressaltou a ausência de políticas específicas para dança, como também a politicagem que acontece no Rio Grande do Norte, sobretudo quanto à gestão cultural. “Passam-se os anos e são as mesmas pessoas nos mesmos cargos. Para conseguir um espaço na Fundação José Augusto, tem que ser na base da amizade. É uma ‘política de amiguinhos’”.

Segundo ele, uma solução para o problema seria a criação urgente de uma Secretaria Estadual de Cultura. Atualmente, ela existe acoplada à Secretaria de Educação (Secretaria Estadual de Educação e Cultura – Seec), mas não tem qualquer ação voltada para as atividades artísticas. Enquanto isso, a classe apela para a Fundação José Augusto, que convive com sérios problemas estruturais e financeiros.

Isto, de fato, é um problema, de acordo com a produtora cultural Tatiana Fernandes – que compôs a mesa de apresentações do debate. Ela explicou que, em 2008, foram captados R$ 4 milhões de renúncia fiscal pela Lei Câmara Cascudo, de incentivo à cultura. A quantia foi utilizada para beneficiar 16 projetos, dos quais 13 eram de Natal. Dos grupos contemplados, no entanto, apenas três eram captadores de recursos.

A autonomia dos grupos artísticos, para o jornalista Alex de Souza, deve ir além da simples obtenção de recursos financeiros. Em dado momento, ele defendeu a criação de um mercado de circulação alternativa para os projetos desenvolvidas pela classe.

Para esta rede informal de comunicação, estariam convocados todos aqueles interessados em divulgar arte. Neste ponto, qualquer iniciativa seria bem vinda – rede de blogs, rádios comunitárias, vídeos postados no Youtube, podcasts para internet... Para o jornalista, os artistas não podem esperar pela boa vontade dos meios de comunicação tradicionais, até porque, conforme declarou, a crítica jornalística ainda é inconsistente na cidade.

A também jornalista e atriz Ramila Souza, membro do Núcleo Jovens Artistas (que organizou, junto com a revista eletrônica Catorze, o primeiro debate exclusivo sobre cultura com os candidatos ao Governo), destacou a necessidade de incremento da qualidade artística e da crítica. De acordo com ela, ambas estão intimamente relacionadas.

Quem também relacionou o próprio fazer cultural com tema à primeira vista distante foi o filósofo Pablo Capistrano, também integrante da mesa. Para ele, pensar cultura requer uma reflexão acerca da cidade, do cenário urbano que se transforma. Ele diz que a cultura aparece como uma expressão em meio à reconfiguração geopolítica.

Em duas décadas, disse, estaríamos diante do “natalense típico”, que ainda não está totalmente definido. Especialmente com a vinda crescente de estrangeiros, a cidade deve sofrer alterações de ordem estrutural e política. Nas artes, ainda, o potiguar tende a valorizar mais o que vem de fora do que as expressões populares. Na elaboração de políticas públicas para o setor, todo este contexto deve, então, ser considerado.

Atividades

Além do debate promovido pela manhã, a programação do Grupo Locau segue durante o turno da tarde. Até as 16h, os artistas se reúnem em plenária para definir “12 diretrizes para a área cultural”, também no IFRN da Rio Branco. Depois disso, eles realizam manifestação na Praça Padre João Maria, na Cidade Alta, Centro, até as 18h. Na ocasião, eles vão distribuir carta tratando da questão ao “respeitável público” que transitar pelo local.

# Download da Carta com Diretrizes para a Área Cultural Potiguar

* Fonte: Nominuto.com - 20/set/2010, por Melina França

♪♫ Candidatos ao Governo do RN apresentam propostas para a Cultura


Falar sobre Cultura no Rio Grande do Norte remete a problemas já antigos, como atrasos no pagamento de serviços prestados pela classe artística, assim como de editais de incentivo, fechamento e sucateamento de espaços públicos destinados a eventos e falta de investimentos para essa área.

Sobre o assunto, o portal Nominuto.com resolveu perguntar , esta semana, aos candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte quais suas propostas para a Cultura. Leia a resposta dos candidatos a pergunta: "Quais são suas propostas para alavancar a cultura no Rio Grande do Norte?"

Carlos Eduardo (PDT) - Nós vamos planejar pela primeira vez a cultura em nosso estado com o Plano Estadual de Cultura, e estimular a formação dos conselhos paritários para que as políticas culturais tenham a sua continuidade garantida. Nós também vamos criar a Secretaria de Cultura, e promover uma reestruturação profunda no funcionamento, orçamento e transparência da Fundação José Augusto. Vou ampliar o valor da renúncia fiscal da Lei Câmara e implementar o Fundo de Apoio à Cultura, importante para fortalecer aquelas produções que não têm apelo comercial.

Nós precisamos levar a cultura para a periferia das grandes cidades e para as pequenas cidades do interior; fortalecer as casas de cultura para que funcionem de fato como espaço de criação e de formação de novos artistas; promover festivais de arte num calendário consistente e aproveitando as potencialidades dos territórios; e desenvolver programas itinerantes que provoquem a comunicação entre artistas e comunidades de diversos locais.

Também vamos reestruturar/criar os espaços de cultura, como bibliotecas (em especial a Câmara Cascudo), museus, galerias, teatros, arquivos públicos, sítios arqueológicos e bens artísticos tombados. E estimular a produção intelectual e contar a nossa história realizando um amplo levantamento dos sítios históricos e arqueológicos e uma política de museu e memórias, além de redimensionar a Imprensa Oficial do RN, para que seja uma editora importante de livros e revistas. Os detalhes de nossas propostas estão aqui: http://bit.ly/bkuKo4.

Sandro Pimentel (PSol) - A mercantilização da cultura vem avançando vertiginosamente nos últimos anos com o modelo neoliberalista. Só para citar um exemplo, é comum ouvirmos músicas abordando de forma explícita e vulgar a sexualidade, especialmente no tocante ao sexo feminino. Aqui no RN o orçamento em Difusão Cultural em todo o período de 2009 foi de apenas 9 milhões de reais, enquanto que o setor propagandista abocanhou mais de 22 milhões, isso mostra o que é prioridade no atual governo.

O PSOL propõe Um Novo Caminho para o RN e, para tanto, elaborará, com participação ativa da Sociedade Civil Organizada, um amplo Programa de Cultura para o Estado, partindo do pressuposto que a cultura é um dos principais alicerces para a minimização da violência tão crescente no RN e deve ser vista como processo de crescimento e de autonomia de um povo, além de contribuir com a formação do indivíduo. Nossos artistas estão abandonados e sem palco. Nossa cultura está morrendo rapidamente, praticamente só restam às quadrilhas juninas e com mais raridade as rodas de capoeira, mesmo assim, sem incentivo do governo.

Nosso plano abordará obrigatoriamente as dimensões simbólicas, cidadã e econômica. Vamos tratar a cultura como fonte de oportunidades de geração de ocupações produtivas e de renda. Não permitiremos que nossos artistas continuem com o "pires na mão", mendigando para mostrar seu potencial artístico, para tanto, vamos dobrar o orçamento para a cultura e esse montante será retirado do orçamento atualmente destinado às propagandas institucionais.
Iberê Ferreira (PSB) - A cultura potiguar é reconhecida, em todos os cantos do país, pela riqueza, diversidade e pluralidade. O Rio Grande do Norte é pródigo em nomes que são referência nas mais diversas áreas culturais, como o mestre folclorista Câmara Cascudo, a escritora e abolicionista Nísia Floresta, a romanceira Dona Militana Salustino e o músico Hianto de Almeida, tido por muitos pesquisadores como precursor da Bossa Nova.

Cada um no seu ramo e na sua época, esses ilustres norte-rio-grandenses, além de inspirar as novas gerações artísticas, ajudaram a disseminar nossa identidade cultural para além das nossas fronteiras, atraindo o interesse de gente de todos os cantos do país e do mundo. Infelizmente, nem todos os potiguares têm acesso a essa riqueza imaterial. Por isso, nossa proposta é disseminar a cultura em todos os recantos do Rio Grande do Norte, criando as condições para que o povo participe não apenas como espectador, mas que se aproprie dos mecanismos de produção artística e exercite sua vocação cultural. Nossa meta é estimular a diversidade cultural, para que os artistas, com o devido respeito por sua autonomia, tenham liberdade e apoio financeiro para desenvolver seus projetos.

Avançamos muito nos últimos anos nessa área com a instalação de 53 Pontos de Cultura no Estado, a implantação de 29 Casas de Cultura (outras 16 estão em conclusão), a expansão das bibliotecas pelo interior, a extensão do "Projeto Seis e Meia" para Mossoró e a promoção de eventos como o Auto de Natal, entre outras iniciativas importantes. Ao mesmo tempo, sabemos que é preciso aumentar o apoio ao segmento cultural, para que cada vez mais pessoas produzam, conheçam e consumam cultura no Rio Grande do Norte. Para isso, vamos ampliar a Lei Câmara Cascudo, criar o Fundo Estadual de Cultura e instalar mais 100 Pontos de Cultura no Estado, dando oportunidade para que os grupos de todas as cidades apresentem seus projetos e tenham apoio para desenvolver suas ideias.

Rosalba Ciarlini (DEM) - De imediato vamos encaminhar à Assembléia Legislativa projeto de lei para criar o Fundo Estadual de Cultura, sonho dos que fazem cultura no RN. Será uma fonte estável e permanente para o financiamento das atividades e iniciativas culturais, com a destinação de 1% da arrecadação anual do ICMS, algo em torno de R$ 28 milhões por ano. Isso representa mais de 7 vezes o que o atual governo destinou à cultura, via Lei Câmara Cascudo.

Pensando nas futuras gerações de artistas vamos ampliar e consolidar o ensino e a profissionalização dos cursos de música, teatro e artes visuais, reconhecendo-os com profissionalizantes. Vamos também promover a interiorização de escolas de arte (dança, balé, canto coral, artes visuais) em cidades pólo, abrindo campo de trabalho para os profissionais já qualificados, principalmente de Natal, estimulando a "cultura" de produção e consumo de arte.Ao longo da gestão serão apoiadas as iniciativas de ONGs, da iniciativa privada e dos próprios municípios relativas à realização de eventos, festivais, autos, com capacidade de fomentar a atividade turística, inclusive regional, estabelecendo um calendário anual de eventos a ser amplamente divulgado. A cultura terá papel fundamental na construção do plano turístico do RN.

Ao assumir o governo vamos implementar o programa Natal - Capital Internacional do Folclore para transformar a capital, em agosto, mês do folclore, num pólo de apresentações e discussões de cultura popular, reverenciando o grande Mestre Câmara Cascudo. Para alcançarmos este objetivo a relação cultura-escola terá tratamento privilegiado. As Feiras de Cultura espalhadas por todo o Rio Grande do Norte darão novas nuances, uma dinâmica diferenciada para valorizar a cultura potiguar.

Simone Dutra (PSTU) - Pesquisas mostram que 93%dos brasileiros nunca foram a uma exposição de arte; 78% nunca viram um espetáculo de dança e 92% não frequentam museus e teatros. Isto é assim porque a cultura é transformada em mercadoria e não em política de Estado que incentive o desenvolvimento cultural e democratize o acesso para a população, pois num país em que 29% dos trabalhadores vive com até 1 salário mínimo e 38,7% de 1 a 2 mínimos, a prioridade do orçamento familiar não pode ser dar R$ 20,00 num ingresso de cinema ou R$ 50,00 em um show. No RN, 1,9% é o gasto do potiguar com cultura e lazer.

Há uma necessidade de políticas públicas de incentivo à cultura e que democratize o acesso. No entanto, o que vemos no RN são manifestações culturais do teatro, da música, da literatura, da dança, etc, que na maioria são iniciativas dos artistas que não contam com o apoio dos governos. Exemplo: a Casa do Cordel que por iniciativas de um poeta e um xilógrafo vem agrupando o que tem de melhor da poesia sem incentivo do poder público.No RN há ainda o abandono do patrimônio cultural. A Fundação José Augusto é responsável pela conservação do patrimônio, como dois teatros, duas bibliotecas públicas, dois memoriais, a Pinacoteca, a Cidade da Criança e 25 casas de cultura popular no interior do estado. A falta de manutenção e de incentivo do governo faz com que estes patrimônios não despertem o interesse da população. A Biblioteca Câmara Cascudo, que há 15 anos não sofre nenhuma reforma, por exemplo, está há dois anos sem luz; dos 100 mil livros do acervo nenhum foi comprado pelo Governo Estadual. Foram adquiridos por doações, mas mesmo assim não estão disponíveis ao público por não ter uma bibliotecária.Cultura não é mercadoria, precisa ser financiada pelo Estado.

O PSTU propõe o fim da isenção fiscal para empresas privadas e com os impostos recolhidos elaborar um plano de incentivo à cultura; garantir o acesso às produções e atividades culturais; estimular os movimentos culturais a partir das escolas públicas e nos bairros; fortalecer os projetos culturais com participação das prefeituras; constituir um Conselho Popular de Cultura eleito democraticamente pelos movimentos culturais; recuperar e manter os patrimônios culturais com contratação de profissionais.

♪♫ Editorial DoSol: Com a Palavra os Candidatos

Dia 8 de setembro aconteceu na Casa da Ribeira o primeiro debate entre candidatos a governador do RN focado totalmente em cultura. Por si só uma vitória da classe, novamente encabeçada por inciativas individuais e inquietas de quem quer ver mudanças. E como precisamos de mudanças, né?

Iberê deixou clara sua proposta para cultura quando desdenhou o convite. Nenhuma. Os outros dois candidatos foram, levaram a atividade de forma bem humorada, séria e sem ataques de ambos os lados. O público também se comportou bem e a condução dos trabalhos se deu no sentido de evitar as tradicionais ladainhas e lamentos tão comuns a esse tipo de encontro. Isso foi massa!

Fui um dos convidados a perguntar e quis saber sobre dotação orçamentária. Um ponto que hoje é o principal problema para as políticas públicas de cultura no estado. Estamos cercados de produtores e pensadores de cultura de excelente nível, capazes de construir rapidamente um plano de atividades. Isso todo mundo está careca de saber. O problema é que sem regulamentação, dotação fixa, dinheiro previsto em leis, tudo não passará de ilusão ou de boa vontade do governador que lá estiver.

Tudo começa com as tais garantias de investimento. Acabaram de aprovar uma para a Copa de 2014. Deveriam aprovar uma garantia igual para cultura há 30 anos e ainda não temos nada a respeito.

Sobre o assunto, a senadora Rosalba respondeu que pretende colocar em vigor um super fundo estadual de cultura, regulamentado através de ICMS e que seria fixo em 1% da arredação. Isso injetaria na área cultural do estado um investimento direto de, no minímo, trinta milhões de reais ano, sem dúvida um número relevante. O problema todo é que essa promessa tem cara de discurso pré-eleitoral, até porque todo mundo sabe que o montante é alto e que o governo precisará da assembléia para fazê-lo. Sinceramente, ficarei muito surpreso positivamente se isso acontecer, mas tenho minhas dúvidas.

O ex-prefeito Carlos Eduardo também citou contidamente a regulamentação do Fundo Estadual de Cultura. Esquivou-se de números e também jogou a responsabilidade para a assembléia. Demonstrou ter um pouco mais de solidez no que diz respeito a um programa de governo voltado para cultura (que foi um dos carros chefes da sua administração como prefeito de Natal, muito pela competência de Dácio Galvão) apresentando um projeto de criação da tão sonhada Secretaria Estadual de Cultura com dotação orçamentária própria (e gorda segundo ele), transformando a Fundação José Augusto num agente fomentador de parcerias para a área.

O candidato também anunciou que pretende fazer um Plano Estadual de Cultura através de convocação de artistas, produtores e demais agentes da cadeia produtiva cultural do estado.

Chego a conclusão de que os dois candidatos tem sim uma paquera pela área cultural, comprovada em governos anteriores, o que nos dá um alento mínimo de esperança (e mudança). Agora uma coisa é certa, o que precisamos fazer em qualquer caso é garantir que as promessas virem realidade. Temos chance, usaremos as plataformas que estão aí e vamos em frente.

Pressionar para o governo ceder. Essa é a meta!

Fotos: Yuno Silva

♪♫ V Festival MPBeco - Programação Completa

A produção do V MPBeco – Festival de Música do Beco da Lama divulga a programação do evento com os shows especiais e lista das 24 músicas finalistas que disputarão os prêmios oferecidos pelo festival. Foram recepcionadas 124 inscrições, totalizando o número de 260 músicas.

No dia 30 de agosto foi realizado o sorteio para definição da ordem de apresentação das músicas concorrentes ao Festival. A competição começa no dia 11 de setembro, com a primeira eliminatória; a segunda será no dia 18 e a finalíssima está programada para o dia 25.

O festival MPBECO chega à sua quinta edição consolidado como um dos melhores projetos da área musical do nosso Estado. O projeto MPBECO não cobra inscrições nem o acesso ao público às suas duas eliminatórias e a etapa final do evento, que são realizadas na Praça Sete de Setembro – Centro Histórico.

Serão disputados 15 mil reais em prêmios, divididos em seis categorias distintas: 1º, 2º e 3º lugares; melhor intérprete, melhor arranjo e também o prêmio do Voto Popular.

Para informações clique aqui e leia o regulamento.

Projeto patrocinado através do Programa Djalma Maranhão de Incentivo à Cultura e também da Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura.

Programação completa do V MPBeco

Local: Praça 7 de Setembro - Centro Histórico
Horário: 18 horas

Dia 11/09
Show com Babal e Banda

Concorrentes:
01 - Judas Estalou um Beijo - Banda Alter Ego
02 - Sabe - Don Joker
03 - Mais Respeito - Nordestenato
04 - Torto Viés - Wicliff Gomes
05 - Tarja Preta - Luiz Gustavo
06 - O Riso - Cleo Lima
07 - Tsunami - Julio Lima
08 - Nada É Mais Forte Que O Amor - Michelle Lima
09 - Nego Nagô - Carcará na Viagem
10 - Me chame com'eusou(l) - Maguinho daSilva
11 - Memória da Casa Velha - Carlos Bem
12 - As Duas Torres - Os Inflamáveis

Show com a Banda Cabruera

Dia 18/09
Show com o Grupo Nós do Beco (Homenagem aos 100 Anos de Noel Rosa)

Concorrentes:
01 - Porta-retrato - Kekelly Lira
02 - Coco Parangolé - Zé Martins e a Banda Fibra de Coco
03 - Minha Alma Não É Feita de Encaixar - Nara Costa
04 - Sonho Real - Forró Namanha
05 - Ultraleve - Luiz Gadelha
06 - Feitiço Brasileiro - Curta Metragem
07 - Mr. President Barack Obama - Monte Sião Sistema de Som
08 - Balada da Cidade Mágica - Donizete Lima e a Confraria do Cálice Profano
09 - Deu Sede - Arrelia
10 - Caravana dos Loucos - Damned Blues
11 - Eu, Eles e Minha Casa - Lunares
12 - Semancol - Ivando Monte

Show com Romildo Soares e Banda

Dia 25/09
Show com a Banda Pangaio

Finalistas

Show com a Banda Seu Pereira e Coletivo 401

♪♫ Fundo Nacional Agora é Pra Valer

Os recursos do Fundo Nacional de Cultura (FNC) não poderão mais ser bloqueados. A definição está na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2011, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada terça-feira (10 de agosto) no Diário Oficial da União (Seção 1, página 38, Anexo IV).

O Ministério da Cultura conseguiu, em negociação com o Congresso Nacional, criar uma emenda protegendo o FNC de qualquer forma de contingenciamento. A decisão foi ratificada pelo Presidente da República.

“É uma vitória gigantesca para a Cultura, fundamental para a mudança de modelo de fomento que estamos fazendo”, comemorou o ministro da Cultura, Juca Ferreira. “No mundo todo, o financiamento público da produção cultural é feito por meio de fundos, e não pela renúncia fiscal. Essa decisão acaba com a dúvida que o Fundo poderia ser contingenciado e dá segurança à mudança que estamos fazendo”, afirmou, referindo-se ao projeto de lei enviado ao Congresso Nacional propondo o Procultura.

O Fundo Nacional da Cultura (FNC) é um fundo público constituído de recursos destinados exclusivamente à execução de programas, projetos ou ações culturais. O MinC pode conceder este benefício por meio de programas setoriais realizados por edital, ou apoiando propostas que, por sua singularidade, não se encaixam em linhas específicas de ação, as chamadas propostas culturais de demanda espontânea.

Em 2007, foram disponibilizados R$ 472,8 milhões do FNC para serem investidos em programas e projetos culturais no ano de 2008. O valor investido em 2009 - aprovado em 2008 - subiu para R$ 523,3 milhões. No ano de 2010 - aprovado na LDO de 2009 - o Ministério da Cultura conseguiu R$ 898,1 milhões para o FNC.

* Fonte: Comunicação Social/MinC, por Heli Espíndola

♪♫ Artistas preparam manifesto público

O cantor e compositor Esso Alencar, enquanto lia o manifesto na SBPC

O cantor/compositor Esso Alencar durante sua apresentação no palco da Rede Potiguar de Música, dentro da SBPC, no campus da UFRN, na última sexta 30 de julho, leu para uma platéia atenta no Circo da Luz o teor do documento a que vem chamando de 'Carta ao Respeitável Público', fazendo um chamamento para reunir a classe artística da região metropolitana numa programação a se desenrolar em setembro, discutindo a estruturação e a execução da pauta 'Por uma Política Cultural para a Grande Natal', envolvendo os mais diversos setores sociais, tais como a imprensa, os gestores, os artistas, os políticos, outros e afins.

A ação vem sendo pensada pelo grupo Locau!, que reúne entre seus membros integrantes de várias áreas artísticas de Natal como a Rede Potiguar de Música, o Grupo Teart de Teatro, a Tropa Trupe (de circo), além de Pontos de Cultura como o Rebuliço (de Pirangi) e o de Pium.

Na ocasião, a programação será composta de um ato público com uma intervenção estética, a acontecer na tarde do dia anterior ao debate, contribuindo assim para o processo de discussão ensejado pelas eleições em vigor.

Abaixo um trecho da carta:

"Respeitável Público,

A classe artística de Natal vem sendo historicamente sistematicamente desrespeitada pelas instituições que justamente foram criadas e são mantidas para apoiar o crescimento e desenvolvimento desses setores todos da arte: o teatro, a música, a dança, a literatura, o circo, as artes visuais e etc.

Apesar dessas instituições justificarem a consecução de suas verbas, garantindo investimentos na área, a realidade dos artistas locais e demais profissionais que trabalham prestando serviço para o município e estado é ultrajante e contraditória, muitas vezes submetendo os mesmos a situações de vexame nas suas apresentações, destratando os acertos técnicos e atrasando os repasses financeiros com cachês abaixo da média e absurdamente menores aos pagos em contratos nacionais; e sem contar com a falta de uma política cultural estruturante que possa garantir a formação de novas platéias, a continuidade das ações independentemente da troca dos gestores, a transversalidade dos eixos educativo-pedagógico-cultural, etc.

Reafirmamos através deste texto, a importância da arte para o desenvolvimento de uma sociedade, seja ela qual for, e pedimos a sua atenção para apoiar as potencialidades artísticas de nossa localidade. (Esso Alencar, fundador e membro do grupo Locau!)".

* Fonte: Tribuna do Norte - 4/ago/2010

♪♫ Partido da Cultura - Carta de Propostas

"Salve a todos/as,

Como a maioria aqui já deve estar acompanhando, no início de julho um movimento nacional suprapartidário em prol da cultura foi lançado: O Partido da Cultura.

A principal intenção deste movimento é chamar a atenção para as principais pautas políticas relacionadas a cultura, neste momento tão importante da democracia, que são as eleições, e assim defender a cultura como elemento estratégico na construção das politicas públicas em prol do desenvolvimento econômico e da justiça e inclusão social.

Seria muito interessante termos mais agentes culturais e entidades da música envolvidos com este debate nas suas regiões, e neste sentido, coloco abaixo, para apreciação de todos, o primeiro documento construído visando o desenvolvimento de um programa de diretrizes prioritárias, q está sendo construído de forma colaborativa por todos estes agentes envolvidos. Estamos no momento inicial desta construção, e a experiência de todos aqui é muito importante para que possamos chegar a um documento q realmente atenda as nossas demandas e vontades políticas. Sabemos que os interesses politico-partidários são diversos, e por isso mesmo, este movimento se propõe suprapartidário e fundado essencialmente na discussão de políticas públicas para cultura.
Sugiro que todos dêem uma olhada no blog do movimento, e assim se familiarizem ainda mais com este processo, para que possamos garantir a ampliação deste movimento, e q independente dos vencedores das eleições em 2010, a cultura passe a ser vista como agenda prioritária de qualquer governo.

Neste primeiro momento, as propostas elencadas, tem como referência a construção de políticas macros e universais, mas com certeza, com a colaboração de mais agentes aqui presentes, teremos condições de puxar também um pauta e construir um programa voltado exclusivamente para o setor da música. Sei q temos um acumulo muito grande de documentos fruto do trabalho do Colegiado Setorial desde 2005, e que inclusive podem servir como referência para a construção deste programa setorial para a música.

Segue o link do blog: www.partidodacultura.blogspot.com

Estamos a disposição para tirarmos qq dúvida sobre este processo, e a contribuição de todos é fundamental para que possamos qualificar ainda mais este debate e movimento.

Abaixo a Carta de Propostas que está sendo construída:

Abraço a todos!
Talles Lopes

PCult: Carta de Propostas #1

Começamos a construir a primeira carta de propostas do PCult. A idéia é apresentá-la a candidatos em todo o Brasil, e também servir de base para que cada estado construa sua própria, com demandas específicas. Durante os próximos 5 dias, a carta está em sabatina e estaremos recebendo contribuições nos comentários, a colaboração é mais do que bem vinda (é necessária)!

Carta de Propostas #1

Um dos principais objetivos do PCult é inserir a Cultura como uma área central das políticas públicas do Brasil, fortalecendo a presença do setor cultural nos parlamentos e nos governos, através da construção de um campo de debate nacional, amplo e democrático. Assim sendo, é natural que defendamos um conjunto de propostas que consideramos essenciais para isso.

Com base nas 30 diretrizes prioritárias aprovadas na II Conferência Nacional de Cultura (II CNC), no conjunto de proposições das Conferências Nacionais de Economia Solidária e de Ciência e Tecnologia, nas deliberações do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, na plataforma de mobilizações anteriores tais como o "Vota-Cultura", o "Re-Cultura" e "Todos pela Cultura", dentre outras diretrizes, elaboramos a seguinte Carta de Propostas.

Parte das diretrizes abaixo descritas estão em processo de encaminhamento e dependem de prosseguimento de matérias de ordem legal, de natureza diversa: Propostas de Emenda a Constituição (PECs) ou Projetos de Lei (PLs) de diferentes temáticas, que visam conferir maior institucionalidade às políticas públicas de cultura.

Acreditamos que as 16 propostas abaixo relacionadas sintetizam o espírito de todo o debate acumulado ao longo dos últimos anos, nos foros e instâncias de exercício da cidadania e democracia participativa, sem prejuízo de outras propostas.

16 PROPOSTAS PRIORITÁRIAS À CULTURA

1.) Ampliar as políticas de fomento, incentivo, investimento e financiamento à cultura, através da aprovação da proposta de veiculação de orçamento para a cultura, reforma do Programa de Fomento e Incentivo à Cultura (PROCULTURA) e massificação dos editais públicos de seleção de projetos culturais, propiciando a sustentabilidade dos processos de criação, produção, distribuição, circulação, difusão, fruição, consumo e preservação dos bens simbólicos.

a) Para assegurar ampliação de políticas, programas, projetos e financiamento, é necessário assegurar a garantia de recursos. Assim sendo, para o sucesso de tal proposta, é fundamental a aprovação das seguintes PECs e Projetos de Lei:

i. PEC nº 49/2007 e PEC 236/2008: altera a Constituição de 1988 dando nova redação ao art. 6º, sobre direitos sociais da Constituição Federal, incluindo a cultura como direito social do cidadão. A PEC nº 236/2008 está apensada à ela. Está em fase de indicação de membros, pelas Lideranças dos Partidos, para compor à Comissão Especial que analisará a matéria.

ii. PEC nº 324/2001 e PEC nº 150/2003: acrescenta o Artigo 216-A à constituição Federal, para destinação de recursos à cultura. Dispõe que a União aplicará anualmente nunca menos de dois por cento, os Estados e o Distrito Federal, um e meio por cento, e os Municípios, um por cento, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na preservação do patrimônio cultural brasileiro e na produção e difusão da cultura nacional. Aprovada por Comissão Especial, está pronta para Ordem do Dia. Será votada em dois turnos pelo Plenário da Câmara dos Deputados.

iii. PL nº 6.722/2010: institui o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura- PROCULTURA, e dá outras providências. Tramitará pelas Comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, Educação e Cultura, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça. Encontra-se na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio. Aguarda apresentação de parecer do relator.

iv. PL nº 5.798/2009, na Câmara; e PLC nº 221/2009, no Senado: institui o Programa de Cultura do Trabalhador, cria o VALE-CULTURA e dá outras providências. Foi aprovado na Câmara dos Deputados. Quando da apreciação pelo Senado Federal, recebeu emendas, retornando à Câmara onde as emendas do Senado foram aprovadas. Encontra-se na Coordenação de Comissões Permanentes. Pronto para Pauta do Plenário.

v. PL nº 5.940/2009 Na Câmara e PLC nº 07/2010 no Senado Federal: cria o FUNDO SOCIAL DO PRÉ-SAL e dá outras providências. Incluí a cultura como beneficiaria dos recursos do fundo. Aprovado pela Câmara, seguiu para o Senado Federal, onde foi aprovado com modificações. Retornou à Câmara. Tramita em regime de urgência constitucional.

2) Assegurar a incorporação dos preceitos da Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, da UNESCO, no planejamento e execução de políticas, programas e projetos culturais, estimulando a valorização e reconhecimento da pluralidade, do multiculturalismo e dos conhecimentos e práticas tradicionais.

3) Instituir, através de atuação conjunta das áreas de educação e cultura, a atualização permanente dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do ensino de arte-educação e da música, bem como para o ensino profissional de nível médio e para o ensino superior nas diferentes linguagens artísticas, na área de educação para produção e gestão de políticas culturais, na área de educação patrimonial e no incentivo ao livro e à leitura, estimulando a qualificação da formação em arte e cultura.

4) Atualizar os marcos legais regulatórios relativos aos direitos autorais e às concessões públicas de rádio e TV, estimulando a criação de rádios e TV´s comunitárias, educativas e universitárias, livres em todo o território brasileiro, como condição para o exercício da cidadania cultural, garantindo a democratização e o amplo acesso aos meios de comunicação.

a) Nesse sentido, ainda é necessário avançar e fazer chegar ao Congresso uma proposta ousada de novo marco regulatório para TVs e Rádios Públicas e Comunitárias. Por enquanto, tramitam os seguintes projetos:

i. PL 29/2007: dispõe sobre NOVA LEI DA TV POR ASSINATURA, com organização e exploração das atividades de comunicação social eletrônica. Aprovado na Câmara, encontra-se no Senado, onde será apreciado pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania; de Assuntos Econômicos; de Educação, Cultura e Esporte; de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle; e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática, cabendo à última a decisão terminativa. Encontra-se na CCJ.

ii. O anteprojeto que moderniza a Lei de Direito Autoral (Lei 9.610/1998) está em consulta pública. A proposta visa promover o equilíbrio entre o direito de quem cria, o direito de quem investe e o direito de toda sociedade de ter acesso à cultura, à informação e ao conhecimento.

5) Condicionar a criação de novos municípios à existência de equipamentos culturais básicos tais como: biblioteca, espaço de memória e centro cultural de uso múltiplo, garantindo a implantação de uma rede física básica para o desenvolvimento cultural, estabelecendo prazo para adequação dos municípios existentes.

6) Assegurar, na implantação de conjuntos habitacionais, a obrigatoriedade de construção de equipamentos culturais básicos (biblioteca, telecentro e centro cultural de uso múltiplo).

7) Garantir o acesso e a acessibilidade à produção cultural através de programas de intercâmbio e circulação nas diferentes áreas e segmentos, assegurando que tais programas e os diferentes editais federais de fomento e incentivo à cultura tenham um percentual destinado à capacitação de pessoal, aquisição de livros e equipamentos destinados ao atendimento de pessoas com deficiência.

8) Desenvolver políticas de interlocução com os Ministérios do Turismo, da Educação, do Meio Ambiente e outros de forma a construir uma transversalidade estratégica para implantação de ações específicas de desenvolvimento integrado, contemplando às diversas manifestações e fazeres culturais existentes.

9) Garantir que as políticas de planejamento, nas três esferas de poder, tratem estrategicamente a cultura como vetor fundamental para construção de um processo de desenvolvimento democrático.

10) Garantir políticas públicas de combate à discriminação, ao preconceito e à intolerância.

11) Assegurar que o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (PROCULTURA) efetive os critérios de distribuição regional de verbas, garantindo que os recursos disponibilizados pela União sejam divididos proporcionalmente entre as cinco regiões do país, de forma que as regiões historicamente menos favorecidas pelas políticas culturais se igualem às regiões melhor beneficiadas.

a. Para o sucesso de tal proposta, faz-se necessária a aprovação da:

i. PEC nº 416: acrescenta o art. 216-A à Constituição para instituir o SISTEMA NACIONAL DE CULTURA. Foi analisada por Comissão Especial, que aprovou o parecer favorável do Dep. Paulo Rubem Santiago. Parecer aguarda publicação. Será votada em dois turnos pelo Plenário para, posteriormente, ser remetida ao Senado Federal.

12) Promover a desoneração tributária das cadeias produtivas da economia da cultura, da economia criativa e das indústrias criativas, estimulando o empreendedorismo cultural e a geração de trabalho e riquezas.

a. Para o sucesso de tal proposta, diversas iniciativas tramitam no Congresso Nacional, visando a desoneração tributária das cadeias produtivas da economia da cultura. Dentre elas destacam-se:

i. PEC 98/2007: conhecida como PEC DA MÚSICA, altera a Constituição Federal de 1988. Acrescenta a alínea "e" ao inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, instituindo imunidade tributária sobre os Fonogramas e Videofonogramas musicais produzidos no Brasil, contendo obras musicais ou lítero-musicais de autores brasileiros, e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. Aprovada pela Comissão Especial Está na Mesa para ser incluída na Ordem do Dia. Já esteve na pauta e foi retirada. Votação em dois turnos. Após aprovação segue para o Senado Federal.

ii. O Simples da Cultura foi aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro do ano passado e tornou-se aLei nº 133/2009. Reduz a carga tributária para produções cinematográficas, artísticas e culturais, corrige uma distorção criada em dezembro de 2008, quando o setor foi enquadrado de forma inadequada no chamado Supersimples. A alíquota mínima passa a ser de 6%, em vez de 17,5%. Dados do IBGE indicam que 5% das empresas brasileiras desempenham atividades culturais. O setor emprega mais de 1 milhão de pessoas.

iii. É necessário estimular a utilização, pelo setor produtivo da cultural, da figura do empreendedor Individual, como forma de desoneração tributária

iv. É necessário fazer chegar ao Congresso Nacional novas propostas de regulamentação de Profissões Culturais, tais como centécnicos, técnicos de som, produtores culturais, dentre outras.

13) Diversificar as modalidades de financiamento à cultura, tais como: financiamento para a produção cultural junto aos bancos; definição de percentual dos impostos pagos pelas multinacionais e pelo sistema financeiro para o Fundo Nacional de Cultura; obrigatoriedade de oferta de contrapartidas culturais por parte de empresas beneficiárias de isenções fiscais.

14) Implementar programas de modernização e qualificação da gestão cultural na União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

15) Elaborar, aprovar e executar os planos de cultura e planos setoriais de cultura nos três âmbitos federativos, a partir das propostas aprovadas em suas respectivas conferências.

a. PL nº 6.835/2006, na Câmara e PLC nº 56/2010 no Senado: institui o Plano Nacional de Cultura (PNC). Aprovado na Câmara, encontra-se no Senado, onde será apreciado pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania, de Assuntos Econômicos e de Educação, Cultura e Esporte, cabendo à última a decisão terminativa. Após ser aprovado nas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania e de Assuntos Econômicos, está na Comissão de Educação, Cultura e Esporte aguardando distribuição.

16) Implementar o sistema de informações e indicadores culturais nas três esferas bem como os sistemas setoriais de indicadores e informações culturais, em cada uma das linguagens artístico-culturais.

* Fonte: lista Rede Música Brasil

♪♫ MinC quer escutar produtores

O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic/Minc), Henilton Menezes, realiza hoje em Natal um encontro com produtores culturais da região. O evento, que será realizado durante toda a manhã no auditório da Fundação Cultural Capitania das Artes está sendo articulado pela secretaria municipal e conta com o apoio da Superintendência do Banco do Nordeste em Natal. “As pessoas sempre correram atrás da Secretaria de Fomento e a Secretaria se escondia. Estamos apenas invertendo, nós é que estamos indo atrás”, disse Henilton Menezes em entrevista por telefone ao VIVER.

O encontro é uma continuidade da rodada de escuta da Sefic com o setor cultural de todas as regiões do país. A interlocução visa aproximar as relações, qualificar o atendimento e aprimorar os serviços prestados aos proponentes, medidas que deverão colaborar para a melhor distribuição dos recursos disponibilizados pelo Governo Federal, através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura.

No ano passado, dos proponentes de projetos para Lei Rouanet de incentivo à cultura, apenas 3% deles eram responsáveis pela captação de 50% da verba disponibilizada pelo Governo Federal. E o mais grave, 80% do montante foi usado em atividades no sudeste e sul do Brasil. O nordeste captou 6% e o norte, 3%. Os dados são do próprio Ministério da Cultura, que acabou citando-os como argumento para a formulação de uma nova lei, segundo o Minc, mais democrática. A lei atualmente está tramitando no Congresso Nacional. A má distribuição de recursos também pode ter uma justificativa simples, o número pequeno de empresas legalizadas e interessadas em patrocinar os projetos do norte e do nordeste brasileiro.

Seja qual for o motivo, a má distribuição de recursos é sentida por artistas e por produtores culturais do RN. Um destes produtores, o jornalista Yuno Silva, acrescenta que não se trata de uma preferência do Ministério por determinadas regiões, Parte dessa ausência é motivada pela falta de proposição local de projetos culturais, agravada pela falta de traquejo com os editais de cultura. “Não se trata de alto índice de reprovação de projetos, mas do baixo índice de inscrição”, disse Yuno.

O produtor disse que de três anos para cá, a situação vem mudando um pouco e que as pessoas vêm ganhando experiência e prática na proposição de projetos, mas se comparada aos estados do Ceará, Pernambuco e Paraíba, as iniciativas ainda são muito acanhadas.

Diante do problema citado, os produtores e artistas locais solicitaram a presença de um representante do ministério para elucidar questões acerca dos editais de cultura. Como Henilton Menezes já estava circulando o País para ouvir as colocações de artistas e produtores, o encontro entre norte-rio-grandenses e o Secretário do Sefic foi marcado para hoje.

“Os produtores apresentam questões importantes para melhorar o trabalho da Secretaria. Tem sido muito produtivo ouvir a sociedade para atender as demandas que nos são apresentadas”, disse Henilton Menezes. O secretário já esteve em Recife, Rio de Janeiro, Belém, São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Curitiba e Belo Horizonte. Nas próximas agendas, estão previstos Fortaleza, Florianópolis, Brasília e Macapá.

Má comunicação

Segundo Henilton Menezes existe uma deficiência grande na Secretaria em relação à qualidade de comunicação entre os proponentes de projetos culturais e os funcionários do Ministério da Cultura. Henilton relata que o sistema que opera na Web é complicado e o atendimento por telefone às vezes não é eficiente pela postura adotada pelo funcionário. “Os funcionários precisam tratar os proponentes como clientes e aí deve ser seguida á máxima de que o cliente tem sempre a razão”, disse Henilton.

O Secretário lembra que quando o interessado inicia a inscrição de projetos nos editais da Lei Rouanet, a comunicação entre proponente e Minc é acionada e a relação entre eles é duradoura. “A relação precisa ser saudável, as pessoas precisam ter respostas rápidas, confiarem no trabalho que está sendo realizado”. Para o Secretário, a boa relação está respaldada numa postura mais abrangente de dizer sim, antes de pensar em dizer um não.

Henilton Menezes foi emprestado ao Ministério da Cultura pelo Banco do Nordeste e tem o objetivo de cumprir com o acordo de otimizar a comunicação na Secretaria de Fomento até o final do ano. Henilton fala que muitas dessas mudanças já estão sendo efetivadas e que outras serão implantadas até dezembro.

Repórter: Maria Betânia Monteiro

♪♫ Carta aberta aos músicos e artistas, por João Parahyba (Trio Mocotó)

João Parahyba

Projeto Música Brasil:

“Caros companheiros artistas e músicos do Brasil,

Estamos num momento histórico de mobilização onde todos, ou quase todos estão lutando pela sobrevivência e manutenção da nossa música. Nos últimos dias tenho refletido sobre tudo que passamos nesses últimos meses, anos e décadas, e me veio na cabeça. Quem são os verdadeiros sujeitos disso tudo que está acontecendo na música brasileira, ontem, hoje e amanhã?!

Somos Nós! Artistas! Músicos e autores! Que fazemos desta arte a nossa vida, e no que diz respeito a estilos, gêneros e ritmos. Somos únicos! Sem nós, não existe música…. CD, DVD, Fonograma, rádio, show na televisão, mostra, festival, baile, casamento, carnaval e São João. Não existe nada!

Apesar de respeitar todos que estão participando deste debate, as entidades, os jovens produtores da nova geração, que hoje tem uma organização e discurso forte em prol de uma política cultural mais justa neste país, não vejo os interesses do artista e do músico com equilíbrio nesta balança entre os produtores de festivais, empresários da música, entre outros. Nosso problema é imediato: vivemos do nosso trabalho!

Ao ler o relatório da Rede Música Brasil (leia aqui), percebi que os projetos de maior valor contemplam os produtores de shows e festivais, empresários artísticos, pontos de rede e pontos de cultura, mas não diretamente a sobrevivência do artista. Com a queda brutal do mercado musical como CULTURA, hoje COMMODITIES, com a história desta política de show de graça, etc. e tal não existe subsistência, sobrevivência e sustentabilidade em toda cadeia. Estamos acabando com a iniciativa privada desde país, e ficando escravos dos editais. O funil das gravadoras e empresários artísticos do passado está hoje na máquina pública. Assim nunca construiremos um mercado cultural sustentável e verdadeiro.

E honestamente, depois de 40 anos de carreira e de ter tocado no mundo todo, não venham me dizer que festival e mostra de música é única e exclusivamente uma vitrine para quem está começando ou para quem está um pouco sumido da mídia, ou ainda, uma forma de formar público novo. Pois isso é o óbvio. Mas isso também hoje é uma vitrine para o nome do festival, para os produtores e entidades organizadores, para o marketing das grandes empresas e principalmente para o governo. E esses proponentes muitas vezes obtêm fonte de renda que mantêm toda a estrutura de suas empresas através desses editais públicos, estaduais, municipais e federais. Principalmente com dinheiro público e quase 100% sem investimento privado, digo dos pequenos empresários, os proponentes, não das grandes empresas que utilizam esses editais e leis para fazer somente marketing, e não cultura.

Vejam: quase todos os festivais e shows já têm apoio do seu município, do seu estado, (conquista deles é verdade) e muitos da grande iniciativa privada, e quase todos, com a desculpa da promoção e da formação de público não pagam cachê aos artistas e músicos convidados “é divulgação Etc. e tal”, mas não justifica, pois ganha pão, é ganha pão. “Não peçam para eu dar de raça a única coisa que tenho para vender, minha música, minha arte”. (Cacilda Becker)

Isso é jabá institucionalizado, igual às rádios que tanto reclamamos há décadas. Quer tocar aqui é assim, você paga para estar aqui. Absurdooo! E se reclamar não entra mais na rádio, TV e/ou no circuito dos festivais, como temos exemplos de vários amigos artistas que foram excluídos das rádios e dos festivais por se manifestarem contra o jabá e/ou não pagamento de cachês nos festivais pelo Brasil afora. Isso hoje, como há 30 anos vem acontecendo.
Estamos criando outro monstro!?

Gostaria de saber da Funarte e do Minc o seguinte: em todos estes editais, nos trabalhos artísticos e musicais estão previstos o pagamento dos nossos cachês?!

Olhem os valores dos projetos enviados no relatório final da Reunião do Colegiado de Música, CNPC e Rede Musica Brasil:

Edital de Passagens: R$ 5 milhões (Mais dinheiro para levar o artista convidado para tocar nos festivais nacionais e internacionais… lindo! Um custo a menos principalmente para os Festivais Nacionais que já tem o estado, o município, a iniciativa privada, e agora o governo federal, mas cadê o cachê?)

Edital de Festivais: R$ 7 milhões (Mais “dinheiros” para produção dos Festivais Nacionais, Lindo! Vamos melhorar a produção dos festivais, mas cadê o cachê?)

Bacia do São Francisco: R$ 4 milhões (Lindo! Vamos lá! Mas os projetos não têm que ser nacionais? E os outros estados do nordeste, cadê a bacia do Guaíba no sul, bacia do Tietê no do sudeste, Pantanal no Centro Oeste e a Bacia Amazônica no norte?)

Clareira: R$ 2,4 milhão – Lindo! Mas também não é nacional!!?

Banco de Artistas: R$ 1,5 milhão – Lindo! Mas 200 artistas divididos por 27 estados, 7,4 artistas por estado. É isso.?!

Edital de rádios Arpub: R$ 500 mil - Lindo! Mas elas vão pagar direitos autorais ao ECAD?

Congresso: R$ 1,5 milhão – Lindo!

Capacitação + Exportação: R$ 1,9 milhão – Lindo!

Banco de Dados: R$ 1 milhão – Lindo!

Redes de Música: R$ 6 milhões – De novo pontos de cultura. Já não tem dinheiro para isso no Minc? Já temos redes, e mais redes formatadas pelos estados e municípios… isso poderia se reverter em algo mais urgente para a nossa cultura, como formação de músicos, formação de orquestras etc. e tal.

Acredito que ainda é tempo e é imprescindível a classe artística e musical se manifestar nestes editais de R$ 7 milhões, R$ 5 milhões, R$ 6 milhões, e que este dinheiro seja utilizado também para pagar os artistas, músicos e autores nestes festivais, mostras, shows, workshops, já que o resto, os festivais já estão contemplados, e já estão muito bem estruturados.

E, antes de mais nada e independente de qualquer coisa, precisamos que os artistas estejam nas curadorias, nas escolhas dos critérios, junto aos proponentes, de como, e para quem vai este dinheiro, e colocar todos segmentos da nossa música para serem prestigiados por estes editais, tais como: música Erudita, MPB, Instrumental,…e por ai vai.

Abraços,

João Parahyba”

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Carta publicada na lista de discussão Rede Musica Brasil e liberada pelo autor para sua publicação no Scream & Yell.
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João Parahyba começou sua carreira aos 18 anos, na boate Jogral, em São Paulo. Como percussionista contratado da casa acompanhou artistas como Cartola, Clementina de Jesus, e participou de históricas jam-sessions com Hermeto Pascoal, Earl Hines e Michel Legrand. Uma dessas canjas tornou-se frequente: Jorge Benjor no violão, João na timba, Nereu Gargalo no Pandeiro e Fritz Escovão na cuíca. Nascia o Trio Mocoto formado para acompanhar Benjor no Festival Internacional da Canção de 1970. De 1970 a 75 o Trio Mocotó viajou pela Europa com Benjor, participou de gravaçoes como “Pais Tropical”, “Que Maravilha”, “Samba de Orly”, do LP “Força Bruta”, acompanhou Vinicius e Toquinho no show “Encontro” e lançou dois LPs com o Trio Mocotó.

Em 1981 foi para os Estados Unidos estudar composição e arranjo no Berklee College of Music (Boston). De volta ao Brasil iniciou uma sólida trajetoria como instrumentista acompanhando Ivan Lins e César Camargo Mariano. A partir de 1990 se envolveu também com produção e foi parceiro de Mitar Subotic, o SUBA, produzindo projetos independentes e participando da maior parte de seus trabalhos com Arnaldo Antunes, Bebel Gilberto e Edson Cordeiro, entre outros. Em 2000 reuniu o Trio Mocotó e começou a colaborar com artistas da cena eletrônica como DJ Marky, Patife, M4J, Anvil FX. Em 2004, com o Trio Mocotó lançando um novo disco, saiu em turnê por toda Europa. 2007 foi o ano do Trio Atlântico (com Pascal Lefeuvre & Carlinhos Antunes), que excursionou pela França e Espanha. Em 2008, comemorando 40 anos de profissao João Parahyba formou a banda Komanche’s Groove Band e o Quarteto Parahyba Jazz.

* Fonte: Scream & Yell - 13/abr/2010

♪♫ Guias auxiliam em elaboração de projetos

Com o surgimento das leis de incentivo fiscal e o aumento do interesse não só do setor privado, mas também do poder público, em investir em projetos culturais, veio à tona uma grande carência de informações sobre como elaborar tais projetos e como colocá-los em prática. Para reverter essa situação, algumas instituições resolveram criar guias que mostram o passo a passo da construção de um projeto cultural.

O Guia SESI de Investimento Cultural é uma das iniciativas neste sentido. Produzido entre 2004 e 2005, e lançado em 2006, o Guia, hoje disponibilizado gratuitamente na internet, na verdade, nasceu de uma necessidade de sistematização da informação do próprio SESI. De acordo com a gerente da área de cultura do SESI, Cláudia Ramalho, “observamos uma fragilidade grande no que denominamos rede semântica da Instituição. Entendimentos sobre cultura eram muito variados nos departamentos do SESI espalhados pelo País e precisávamos estruturar um pensamento sistêmico, construir uma visão compartilhada de cultura no SESI. Então, identificamos a necessidade de investir na qualificação de nossos profissionais”.

Mas a resolução de produzir o guia também considerou as pesquisas elaboradas pelo CNI – Confederação Nacional de Indústrias, que apontavam uma perspectiva grande de aumento do investimento em cultura por meio das leis de incentivo. Uma vez que o SESI tem o papel de assessorar empresas por todo o Brasil, o guia tornou-se necessário. “O envolvimento de empresas, gestores, e dirigentes é fundamental para o desenvolvimento do País. Mas é preciso observar o papel da cultura nesse desenvolvimento”, diz Ramalho.

Apesar de ter sido elaborado com o intuito de suprir uma demanda interna, o Guia passou a ser uma referência para gestores e produtores dos setores público e privado, o que ocasionou o rápido esgotamento da tiragem inicial de 5 mil exemplares. “Distribuímos para programas de capacitação de agentes culturais, universidades, institutos culturais e, conforme solicitação, também para outros interessados. Em função dessa grande demanda, resolvemos disponibilizar o conteúdo na internet, o que permite atingir um maior número de pessoas”, afirma Ramalho.

A gerente revela que, por conta de mudanças na legislação vigente, o SESI deve atualizar as informações do guia e produzir um volume 2 da obra, que terá versão impressa e digital. “Nesse volume detalharemos minuciosamente a natureza da elaboração dos projetos. Informaremos, inclusive, sobre direitos autorais, pagamento de taxas, pesquisas, determinadas perícias e vistorias que devem ser feitas”, explica.

Ainda estão previstos para o final deste ano o lançamento de mais manuais centrados na gestão de informação e conhecimento. O primeiro, intitulado Engenharia cultural – marketing cultural para gestores, projetos e estratégias de negociação, trará conceitos e conteúdos sobre cultura e mercado, ciclo de produção cultural, cultura e interface com esporte, turismo, lazer e moda, além de casos de sucesso. O segundo, ainda sem título definido, tratará de gestão cultural e Lei Rouanet, trazendo informações sobre leis, administração de projetos, pesquisa, planejamento e sugestões de bibliografia. Por fim, o terceiro terá como enfoque o marketing cultural para patrocinadores.

Outra iniciativa que merece destaque é a conduzida pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). A Fundação promove, desde 2007, workshops sobre elaboração de projetos culturais, além de 23 editais para áreas artísticas. “Quando iniciamos os editais, notamos uma carência grande de informações no interior do Estado o que se refletia no resultado: os projetos selecionados eram majoritariamente da capital. Resolvemos , então, criar uma oficina rápida para elaboração de projetos que, inicialmente, iria ao interior do Estado dar subsídios e incentivar a inscrição nos editais. Por ausência de um material de fácil compreensão, que contemplasse todos os itens que cobrávamos nos editais, decidimos criar o nosso próprio manual e distribuí-lo nos workshops”, conta a Diretora de Espaços Culturais da FUNCEB, Giuliana Kauark.

Para produzir o guia, a Fundação utilizou outros manuais sobre o assunto, como o Manual de Apoio à Elaboração de Projetos de Democratização Cultural, elaborado pelo Instituto Votorantim.

O manual da FUNCEB passou a servir de apoio aos workshops realizados em 65 cidades da Bahia, com uma média de 50 participantes por edição. Apesar de o público-alvo ser formado por produtores, artistas e possíveis proponentes de projetos, seja para editais do MinC, da Funceb, ou de empresas, o evento é aberto ao público. Ao se inscrever, gratuitamente, o participante recebe uma cópia do manual. E são, justamente, os participantes que ajudam a atualizar as informações do guia, a cada edição do workshop.

Em 2007 e 2008, o evento foi realizado semestralmente, totalizando 82 oficinas – 67 no interior do Estado e 15 em Salvador. “Capacitamos 2600 pessoas que produziram mais de 300 projetos. E, logo após a primeira edição, observamos que muitos dos projetos inscritos nos editais da FUNCEB vinham do interior do Estado”, afirma a Diretora de Espaços Culturais da FUNCEB.

Segundo a coordenadora de núcleo de formação da FUNCEB, Ana Claudia Ornelas, “a 5ª edição do workshop está prevista para acontecer na segunda quinzena de maio, nas cidades de Itabuna, Juazeiro, Alagoinhas, Feira de Santana, Valença, Vitória da Conquista e Porto Seguro”. Na capital, as oficinas serão sediadas nos centros culturais Cine Teatro Solar Boa Vista, Cine Teatro Lauro de Freitas e Centro Cultural Plataforma.

Confira abaixo manuais disponíveis na rede: