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Semana Cultural da Música Potiguar - Tocando Pessoas Através da Música - 19 a 23 de Março

Semana Cultural da Música Potiguar
Tocando Pessoas Através da Música
De 19 a 23 de Março

Evento realizado pela Cooperativa da Música Potiguar - COMPOR, com o patrocínio do SEBRAE-RN, que marca nova fase de fortalecimento da cadeia produtiva da Música no Rio Grande do Norte e conta com o apoio integral da Rede Potiguar de Música - RPM, do Fórum Permanente de Música-FPM-RN e do Fórum Potiguar de Cultura-FPC e da Fundação José Augusto, nos quais a COMPOR e seus cooperados estão integrados.

O evento é aberto a toda a sociedade e contará com intensa programação na sede do SEBRAE-RN composta pelo curso com Leo Salazar, Como Transformar sua Banda em uma Microempresa (livro incluso, inscrições pelo 0800 570 0800 - R$ 40), das 8h às 12h, Discussões Temáticas, das 14h às 17h e Ciclo de Cinema Musical, das 18h às 21h (os dois últimos gratuitos).

Clique com o botão direito do mouse em cima da imagem e abra o link em uma nova guia para visualizá-la por completo.



Contatos

Organização / Entrevistas: Esso Alencar - 84 9606 1926

Produção: Sara Fracchia - 84 8701 1806

Assessoria de Comunicação: Bruna Mara Wanderley - 84 9157 6340




Programação completa:




Contamos com a sua presença e divulgação, dissemine este evento com os seus contatos.



♪♫ Partido da Cultura - Carta de Propostas

"Salve a todos/as,

Como a maioria aqui já deve estar acompanhando, no início de julho um movimento nacional suprapartidário em prol da cultura foi lançado: O Partido da Cultura.

A principal intenção deste movimento é chamar a atenção para as principais pautas políticas relacionadas a cultura, neste momento tão importante da democracia, que são as eleições, e assim defender a cultura como elemento estratégico na construção das politicas públicas em prol do desenvolvimento econômico e da justiça e inclusão social.

Seria muito interessante termos mais agentes culturais e entidades da música envolvidos com este debate nas suas regiões, e neste sentido, coloco abaixo, para apreciação de todos, o primeiro documento construído visando o desenvolvimento de um programa de diretrizes prioritárias, q está sendo construído de forma colaborativa por todos estes agentes envolvidos. Estamos no momento inicial desta construção, e a experiência de todos aqui é muito importante para que possamos chegar a um documento q realmente atenda as nossas demandas e vontades políticas. Sabemos que os interesses politico-partidários são diversos, e por isso mesmo, este movimento se propõe suprapartidário e fundado essencialmente na discussão de políticas públicas para cultura.
Sugiro que todos dêem uma olhada no blog do movimento, e assim se familiarizem ainda mais com este processo, para que possamos garantir a ampliação deste movimento, e q independente dos vencedores das eleições em 2010, a cultura passe a ser vista como agenda prioritária de qualquer governo.

Neste primeiro momento, as propostas elencadas, tem como referência a construção de políticas macros e universais, mas com certeza, com a colaboração de mais agentes aqui presentes, teremos condições de puxar também um pauta e construir um programa voltado exclusivamente para o setor da música. Sei q temos um acumulo muito grande de documentos fruto do trabalho do Colegiado Setorial desde 2005, e que inclusive podem servir como referência para a construção deste programa setorial para a música.

Segue o link do blog: www.partidodacultura.blogspot.com

Estamos a disposição para tirarmos qq dúvida sobre este processo, e a contribuição de todos é fundamental para que possamos qualificar ainda mais este debate e movimento.

Abaixo a Carta de Propostas que está sendo construída:

Abraço a todos!
Talles Lopes

PCult: Carta de Propostas #1

Começamos a construir a primeira carta de propostas do PCult. A idéia é apresentá-la a candidatos em todo o Brasil, e também servir de base para que cada estado construa sua própria, com demandas específicas. Durante os próximos 5 dias, a carta está em sabatina e estaremos recebendo contribuições nos comentários, a colaboração é mais do que bem vinda (é necessária)!

Carta de Propostas #1

Um dos principais objetivos do PCult é inserir a Cultura como uma área central das políticas públicas do Brasil, fortalecendo a presença do setor cultural nos parlamentos e nos governos, através da construção de um campo de debate nacional, amplo e democrático. Assim sendo, é natural que defendamos um conjunto de propostas que consideramos essenciais para isso.

Com base nas 30 diretrizes prioritárias aprovadas na II Conferência Nacional de Cultura (II CNC), no conjunto de proposições das Conferências Nacionais de Economia Solidária e de Ciência e Tecnologia, nas deliberações do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, na plataforma de mobilizações anteriores tais como o "Vota-Cultura", o "Re-Cultura" e "Todos pela Cultura", dentre outras diretrizes, elaboramos a seguinte Carta de Propostas.

Parte das diretrizes abaixo descritas estão em processo de encaminhamento e dependem de prosseguimento de matérias de ordem legal, de natureza diversa: Propostas de Emenda a Constituição (PECs) ou Projetos de Lei (PLs) de diferentes temáticas, que visam conferir maior institucionalidade às políticas públicas de cultura.

Acreditamos que as 16 propostas abaixo relacionadas sintetizam o espírito de todo o debate acumulado ao longo dos últimos anos, nos foros e instâncias de exercício da cidadania e democracia participativa, sem prejuízo de outras propostas.

16 PROPOSTAS PRIORITÁRIAS À CULTURA

1.) Ampliar as políticas de fomento, incentivo, investimento e financiamento à cultura, através da aprovação da proposta de veiculação de orçamento para a cultura, reforma do Programa de Fomento e Incentivo à Cultura (PROCULTURA) e massificação dos editais públicos de seleção de projetos culturais, propiciando a sustentabilidade dos processos de criação, produção, distribuição, circulação, difusão, fruição, consumo e preservação dos bens simbólicos.

a) Para assegurar ampliação de políticas, programas, projetos e financiamento, é necessário assegurar a garantia de recursos. Assim sendo, para o sucesso de tal proposta, é fundamental a aprovação das seguintes PECs e Projetos de Lei:

i. PEC nº 49/2007 e PEC 236/2008: altera a Constituição de 1988 dando nova redação ao art. 6º, sobre direitos sociais da Constituição Federal, incluindo a cultura como direito social do cidadão. A PEC nº 236/2008 está apensada à ela. Está em fase de indicação de membros, pelas Lideranças dos Partidos, para compor à Comissão Especial que analisará a matéria.

ii. PEC nº 324/2001 e PEC nº 150/2003: acrescenta o Artigo 216-A à constituição Federal, para destinação de recursos à cultura. Dispõe que a União aplicará anualmente nunca menos de dois por cento, os Estados e o Distrito Federal, um e meio por cento, e os Municípios, um por cento, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na preservação do patrimônio cultural brasileiro e na produção e difusão da cultura nacional. Aprovada por Comissão Especial, está pronta para Ordem do Dia. Será votada em dois turnos pelo Plenário da Câmara dos Deputados.

iii. PL nº 6.722/2010: institui o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura- PROCULTURA, e dá outras providências. Tramitará pelas Comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, Educação e Cultura, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça. Encontra-se na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio. Aguarda apresentação de parecer do relator.

iv. PL nº 5.798/2009, na Câmara; e PLC nº 221/2009, no Senado: institui o Programa de Cultura do Trabalhador, cria o VALE-CULTURA e dá outras providências. Foi aprovado na Câmara dos Deputados. Quando da apreciação pelo Senado Federal, recebeu emendas, retornando à Câmara onde as emendas do Senado foram aprovadas. Encontra-se na Coordenação de Comissões Permanentes. Pronto para Pauta do Plenário.

v. PL nº 5.940/2009 Na Câmara e PLC nº 07/2010 no Senado Federal: cria o FUNDO SOCIAL DO PRÉ-SAL e dá outras providências. Incluí a cultura como beneficiaria dos recursos do fundo. Aprovado pela Câmara, seguiu para o Senado Federal, onde foi aprovado com modificações. Retornou à Câmara. Tramita em regime de urgência constitucional.

2) Assegurar a incorporação dos preceitos da Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, da UNESCO, no planejamento e execução de políticas, programas e projetos culturais, estimulando a valorização e reconhecimento da pluralidade, do multiculturalismo e dos conhecimentos e práticas tradicionais.

3) Instituir, através de atuação conjunta das áreas de educação e cultura, a atualização permanente dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do ensino de arte-educação e da música, bem como para o ensino profissional de nível médio e para o ensino superior nas diferentes linguagens artísticas, na área de educação para produção e gestão de políticas culturais, na área de educação patrimonial e no incentivo ao livro e à leitura, estimulando a qualificação da formação em arte e cultura.

4) Atualizar os marcos legais regulatórios relativos aos direitos autorais e às concessões públicas de rádio e TV, estimulando a criação de rádios e TV´s comunitárias, educativas e universitárias, livres em todo o território brasileiro, como condição para o exercício da cidadania cultural, garantindo a democratização e o amplo acesso aos meios de comunicação.

a) Nesse sentido, ainda é necessário avançar e fazer chegar ao Congresso uma proposta ousada de novo marco regulatório para TVs e Rádios Públicas e Comunitárias. Por enquanto, tramitam os seguintes projetos:

i. PL 29/2007: dispõe sobre NOVA LEI DA TV POR ASSINATURA, com organização e exploração das atividades de comunicação social eletrônica. Aprovado na Câmara, encontra-se no Senado, onde será apreciado pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania; de Assuntos Econômicos; de Educação, Cultura e Esporte; de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle; e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática, cabendo à última a decisão terminativa. Encontra-se na CCJ.

ii. O anteprojeto que moderniza a Lei de Direito Autoral (Lei 9.610/1998) está em consulta pública. A proposta visa promover o equilíbrio entre o direito de quem cria, o direito de quem investe e o direito de toda sociedade de ter acesso à cultura, à informação e ao conhecimento.

5) Condicionar a criação de novos municípios à existência de equipamentos culturais básicos tais como: biblioteca, espaço de memória e centro cultural de uso múltiplo, garantindo a implantação de uma rede física básica para o desenvolvimento cultural, estabelecendo prazo para adequação dos municípios existentes.

6) Assegurar, na implantação de conjuntos habitacionais, a obrigatoriedade de construção de equipamentos culturais básicos (biblioteca, telecentro e centro cultural de uso múltiplo).

7) Garantir o acesso e a acessibilidade à produção cultural através de programas de intercâmbio e circulação nas diferentes áreas e segmentos, assegurando que tais programas e os diferentes editais federais de fomento e incentivo à cultura tenham um percentual destinado à capacitação de pessoal, aquisição de livros e equipamentos destinados ao atendimento de pessoas com deficiência.

8) Desenvolver políticas de interlocução com os Ministérios do Turismo, da Educação, do Meio Ambiente e outros de forma a construir uma transversalidade estratégica para implantação de ações específicas de desenvolvimento integrado, contemplando às diversas manifestações e fazeres culturais existentes.

9) Garantir que as políticas de planejamento, nas três esferas de poder, tratem estrategicamente a cultura como vetor fundamental para construção de um processo de desenvolvimento democrático.

10) Garantir políticas públicas de combate à discriminação, ao preconceito e à intolerância.

11) Assegurar que o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (PROCULTURA) efetive os critérios de distribuição regional de verbas, garantindo que os recursos disponibilizados pela União sejam divididos proporcionalmente entre as cinco regiões do país, de forma que as regiões historicamente menos favorecidas pelas políticas culturais se igualem às regiões melhor beneficiadas.

a. Para o sucesso de tal proposta, faz-se necessária a aprovação da:

i. PEC nº 416: acrescenta o art. 216-A à Constituição para instituir o SISTEMA NACIONAL DE CULTURA. Foi analisada por Comissão Especial, que aprovou o parecer favorável do Dep. Paulo Rubem Santiago. Parecer aguarda publicação. Será votada em dois turnos pelo Plenário para, posteriormente, ser remetida ao Senado Federal.

12) Promover a desoneração tributária das cadeias produtivas da economia da cultura, da economia criativa e das indústrias criativas, estimulando o empreendedorismo cultural e a geração de trabalho e riquezas.

a. Para o sucesso de tal proposta, diversas iniciativas tramitam no Congresso Nacional, visando a desoneração tributária das cadeias produtivas da economia da cultura. Dentre elas destacam-se:

i. PEC 98/2007: conhecida como PEC DA MÚSICA, altera a Constituição Federal de 1988. Acrescenta a alínea "e" ao inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, instituindo imunidade tributária sobre os Fonogramas e Videofonogramas musicais produzidos no Brasil, contendo obras musicais ou lítero-musicais de autores brasileiros, e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. Aprovada pela Comissão Especial Está na Mesa para ser incluída na Ordem do Dia. Já esteve na pauta e foi retirada. Votação em dois turnos. Após aprovação segue para o Senado Federal.

ii. O Simples da Cultura foi aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro do ano passado e tornou-se aLei nº 133/2009. Reduz a carga tributária para produções cinematográficas, artísticas e culturais, corrige uma distorção criada em dezembro de 2008, quando o setor foi enquadrado de forma inadequada no chamado Supersimples. A alíquota mínima passa a ser de 6%, em vez de 17,5%. Dados do IBGE indicam que 5% das empresas brasileiras desempenham atividades culturais. O setor emprega mais de 1 milhão de pessoas.

iii. É necessário estimular a utilização, pelo setor produtivo da cultural, da figura do empreendedor Individual, como forma de desoneração tributária

iv. É necessário fazer chegar ao Congresso Nacional novas propostas de regulamentação de Profissões Culturais, tais como centécnicos, técnicos de som, produtores culturais, dentre outras.

13) Diversificar as modalidades de financiamento à cultura, tais como: financiamento para a produção cultural junto aos bancos; definição de percentual dos impostos pagos pelas multinacionais e pelo sistema financeiro para o Fundo Nacional de Cultura; obrigatoriedade de oferta de contrapartidas culturais por parte de empresas beneficiárias de isenções fiscais.

14) Implementar programas de modernização e qualificação da gestão cultural na União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

15) Elaborar, aprovar e executar os planos de cultura e planos setoriais de cultura nos três âmbitos federativos, a partir das propostas aprovadas em suas respectivas conferências.

a. PL nº 6.835/2006, na Câmara e PLC nº 56/2010 no Senado: institui o Plano Nacional de Cultura (PNC). Aprovado na Câmara, encontra-se no Senado, onde será apreciado pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania, de Assuntos Econômicos e de Educação, Cultura e Esporte, cabendo à última a decisão terminativa. Após ser aprovado nas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania e de Assuntos Econômicos, está na Comissão de Educação, Cultura e Esporte aguardando distribuição.

16) Implementar o sistema de informações e indicadores culturais nas três esferas bem como os sistemas setoriais de indicadores e informações culturais, em cada uma das linguagens artístico-culturais.

* Fonte: lista Rede Música Brasil

♪♫ Ecad redige documento contra projeto de lei

Para órgão, texto do MinC é 'perigoso' e dobra limitações a direito do autor

Levado ao olho do furacão pelo debate em torno da nova Lei dos Direitos Autorais (LDA), o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais (Ecad) avisa: vai enviar sua própria proposta de reformulação para o Ministério da Cultura. A revisão da LDA está em fase de consulta pública até 31 de agosto, recebendo contribuições e sugestões.

A direção do Ecad informou que, em 2009, distribuiu R$ 318 milhões em direitos autorais de execução pública musical, "beneficiando mais de 81.250 artistas, entre eles compositores, intérpretes e músicos". O Ecad existe há 33 anos (dos quais 12 anos sob a direção da advogada Gloria Braga, formada pela Uerj e pós-graduada em Gestão de Empresas pela PUC-RJ). O escritório não alivia os críticos: o compositor Tim Rescala, por exemplo, que disse que o órgão é uma "caixa-preta", foi processado.

O Estado conversou ontem com Gloria Braga, superintendente-executiva do Ecad. Segundo ela, o nó do direito autoral no Brasil é o fato de muitos usuários de música (rádios, TVs e estabelecimentos comerciais) não pagarem às entidades arrecadadoras. No ano passado, informa o Ecad, R$ 33 milhões deixaram de ser pagos por rádios.

O anteprojeto do governo de revisão da Lei de Direitos Autorais não tem nenhum lado positivo, em sua opinião?

O projeto tem alguns pontos positivos. Por exemplo: não havia na lei o tempo de prescrição do direito autoral, o tempo para o autor reclamar seus direitos. A nova lei prevê que prescreve em 5 anos. Havia sim algumas coisas para serem sanadas, mas não era necessária uma nova legislação. Na verdade, o que está embasando essa proposta do governo são mudanças conceituais. A lei atual atende plenamente aos interesses dos compositores, apesar de estar sendo demonizada. Por exemplo: o argumento de que teria de ser modernizada para contemplar os novos usos. Mas o Ecad já possui sites que nos pagam regularmente. O que o MinC pretende, sob o pretexto de modificar a lei?

O que o MinC pretende?

Minimizar o direito do autor, possibilitando que a população em geral possa ter acesso. Mas quem tem que possibilitar o acesso da população aos bens culturais é o Estado, com políticas públicas, e não os autores.

A lei é abrangente, trata das diferentes áreas da cultura. Por exemplo: na literatura, a sra. deve saber que, no Brasil, raros autores recebem. Talvez uma exceção seja Paulo Coelho...

O nó fundamental é o desrespeito ao direito do autor, e o maior problema é a inadimplência. Se o governo quer ajudar, que resolva o problema. Temos associações e estruturas políticas para tratar de nosso direito de autores. Intervir nisso é um retrocesso histórico.

Qual será então a proposta do Ecad?

A nossa análise é uma análise global, atenta para as questões conceituais da legislação. As mudanças propostas são muito perigosas para toda a sociedade. Toda lei já possui limitações ao direito do autor, mas esse anteprojeto aumenta, quase dobra, cria outras situações de limitação, abre um precedente muito grande. As licenças não-voluntárias, por exemplo. Eles dizem que não se aplicam à música, mas isso não está na redação. E mesmo para outras áreas é absurda. Se você é um autor de livros, o presidente da República vai poder dispor da sua obra. Abre brecha para tudo.

Os críticos do Ecad apontam para uma gestão pouco transparente do órgão. Por exemplo: recebi cópia de um contrato do Ecad com a TV Globo que recomenda que os termos do contrato não sejam tornados públicos...

Isso é uma figura jurídica que existe nos contratos, para proteger aquele que está pagando os direitos. É comum acontecer isso, mas nas associações há cópias, tem como se informar. O Ecad é fiscalizado por qualquer pessoa que entrar no nosso site, todas as informações, os balanços, as auditorias, as tabelas de preços, estão disponíveis. E também é fiscalizado pela Receita Federal e pelo INSS. Acabamos de receber uma premiação, da revista IstoÉ Dinheiro, o prêmio de Responsabilidade Social. É uma entidade que paga regularmente seus impostos.

O governo também diz que o Ecad funciona por meio da coerção, dos processos judiciais. Dizem que vocês têm um exército de 80 advogados.

Temos agentes credenciados em todo o Brasil. O número é menor que 50 escritórios contratados. Nós estamos aqui defendendo os interesses dos compositores, dos músicos. Se alguém viola o seu direito, nós advertimos. Se mesmo assim continua infringindo, nós vamos à Justiça. É isso que os compositores esperam da gente. Hoje temos mais de 400 mil usuários de música cadastrados e somente 1% desse universo tem cobrança judicial. A nossa cobrança é amigável. Mas, quando não tem solução... O Estado publicou um artigo excelente do músico Marlos Nobre que ressalta esse trabalho sério.

Mas ele também fala que o projeto prevê a extinção do Ecad. E não tem nada disso na lei.

Mas os artistas estão sentindo isso pela forma como está proposto. O texto fala em obrigação de se criar suas próprias associações. Além do mais, essas associações musicais e as das obras audiovisuais devem se apresentar juntas, não podem aparecer sozinhas. E que, se a gente não resolver isso em seis meses, o ministério decidirá. Isso é intervenção. O direito autoral no Brasil é uma conquista progressiva dos autores e compositores de mais de 70 anos, e o Ecad só existe há 33 anos. Está ali, trabalhando como uma empresa qualquer, e de repente sofre uma demonização. Mas nós vamos participar (da consulta pública do anteprojeto de lei), não há porque não fazer isso. Nossa posição não foi levada a sério nos eventos que o MinC fez nos últimos 2, 3 anos. Mas vamos enviar um documento maior. Queremos que o MinC veja com tranquilidade nossa posição e nossa discordância.

PARA ENTENDER

1. Reforma "vaza"
Em novembro do ano passado, o Estado antecipou o texto do anteprojeto do governo. A notícia repercutiu ruidosamente no 3.º Congresso de Direito de Autor e Interesse Público - projeto previa a criação de um órgão público, o Instituto Brasileiro do Direito Autoral (IBDA) para fiscalizar as associações arrecadadoras;

2. Demora na redação
Em março, o governo anunciava para abril o início da consulta pública do novo projeto de lei que modificava o direito do autor. Mas o texto só chegou a público pouco antes do início da Copa do Mundo.

3. Aperfeiçoamento
Reunidos em congresso no Itaú Cultural, artistas declaram apoio ao projeto do MinC, mas sugeriram pequenas modificações: entre elas, a supressão do artigo que prevê licenças não-voluntárias.

Órgão rebate informação de Ivete

O Ecad rebateu ontem declaração de Jesus Sangalo (Caderno 2 de sábado), agente da cantora Ivete Sangalo, de que o que ela recebe de direitos autorais é "ridículo". Segundo o Ecad, nos últimos 5 anos, a cantora recebeu quase R$ 2 milhões em direitos de autor e conexo. No ano passado, no entanto, Ivete saiu do topo das listas - o Escritório informou que a cantora se encontra no 44º lugar no ranking em 2009.

* Fonte: O Estado de São Paulo, por Jotabê Medeiros

♪♫ Direitos derramados no caminho

Autor de “Linda Baby”, considerado hino de Natal, Pedro Mendes nunca recebeu os direitos autorais
Com a inauguração marcada para hoje, da nova unidade do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), instituição que trabalha na defesa dos direitos autorais de compositores, intérpretes e músicos no Brasil; se torna evidente a insatisfação de artistas e produtores locais. Um deles é Pedro Mendes, que revela nunca ter recebido um centavo pelos direitos autorais da composição “Linda Baby”, considerada o hino da cidade.

Pedro Mendes gravou a música Linda Baby em 1987. Com a gravação, ele automaticamente garantiu um código numérico de cadastro para a composição, o ISRC. Teoricamente, toda vez que sua música fosse tocada em rádios e televisões, cantadas em shows, regravadas ou executadas em estabelecimentos comerciais, ele teria o direito de receber determinada quantia, por ter sido o autor da música. Mas até agora, nada. “A arrecadação é extremamente desorganizada”. Disse Pedrinho Mendes. Vale lembrar que antes da inauguração da unidade em Natal, o Ecad já atuava na cidade.

O compositor explica que os valores deveriam ser arrecadados pelo Ecad e distribuídos pelas associações a que são afiliados. Atualmente Pedro Mendes faz parte da Associação de Interpretes e Músicos (Assim) e junto à associação fez um levantamento de todos os seus direitos. Em mais de 20 anos de carreira, ele conseguiu arrecadar apenas mil reais. “Se eu fosse viver de direitos autorais eu já tinha morrido”, disse o cantor.

Pedro conta que a fiscalização do Ecad é equivocada e que a instituição não presa pela boa comunicação. Segundo o cantor, deveriam ser distribuídos folhetos explicativos, apostilas, cartilhas ou algo semelhante. Ele conta que estava comemorando sua festa de aniversário, num bar, quando foi abordado por fiscais do Ecad. O fiscal teria autuado o cantor por executar as suas próprias canções.

Helder Gomes, cantor e compositor, também passou por situação semelhante. Seguindo a recomendação do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, ele fez uma lista das músicas que seriam tocadas no show de lançamento do seu CD, em 2005, na Casa da Ribeira, apresentou ao Ecad e pagou R$ 50, que deveriam ser reembolsados, já que as músicas eram de sua autoria. Mas o dinheiro nunca chegou em suas mãos. “Só recebe pelos direitos autorais aqui no país se for muito famoso”, disse Helder.

Apesar da experiência negativa, Helder acredita que a inauguração da nova unidade do Ecad venha a se tornar uma boa notícia, se os compositores conseguirem receber o dinheiro pelos direitos autorais. A produtora cultural Tatiane Fernandes concorda com Helder e diz que se o Ecad está inaugurando uma nova unidade em Natal é porque a cidade está crescendo. Ela espera que a instituição tenha amadurecido e que já consiga cumprir todas as etapas, da arrecadação ao repasse às associações de músicos.

Ecad em carne e osso

De acordo com Márcio Fernandes, gerente Executivo de Arrecadação, com a inauguração de sua nova unidade, em Natal, o Ecad disponibilizará uma equipe própria e com um maior número de componentes para atender o Estado do RN. “Essa equipe terá maior autonomia e poderá aumentar os contatos com os músicos. Também oferecerá aos usuários de música uma sala com uma melhor estrutura de atendimento, com mais conforto e com uma excelente localização”, explicou. Além disso, os profissionais da unidade percorrerão o Estado com a missão de conscientizar os usuários a quanto à importância dos direito autorais.

Para entender melhor, o cálculo da retribuição é realizado de acordo com as informações fornecidas pelos usuários de música, correspondentes a cada tipo de utilização. São considerados fatores como a importância da música, tipo de utilização e tamanho da área sonorizada, entre outros. Os usuários que quiserem se antecipar podem acessar o site do Ecad, www.ecad.org.br, onde é possível realizar uma simulação do cálculo.
Repórter: Maria Bethânia Monteiro
Foto: Adriano Abreu