♪♫ Artistas defendem organização da classe e preparo dos gestores

Reunião na manhã desta segunda-feira (20) debate questões pertinentes “Por Uma Política Cultural Para a Grande Natal”.

Encontro se deu na unidade do IFRN da avenida Rio Branco, Centro.

Cientes da fragilidade e escassez de políticas culturais, artistas da região metropolitana se reuniram para discutir questões pertinentes para a construção de uma política cultural para a Grande Natal. O encontro se deu durante toda a manhã desta segunda-feira (20), na unidade do IFRN da avenida Rio Branco, Centro. De acordo com o músico Esso Alencar, membro-fundador do Grupo Locau – organizador do evento – a discussão se apoia em dois pontos fundamentais: a organização da classe e o preparo dos gestores.

“O debate é sempre bem vindo. Temos que deixar de ser apenas críticos, e nos mobilizar. Este ainda é um momento primário de nossa organização, e temos uma tendência muito grande à dispersão”, disse. Quanto às ações para chamar a atenção dos governantes, Esso sugeriu que os grupos fossem às Câmaras Municipais das cidades que compõem a Grande Natal. “Se eles não vieram discutir com a gente, vamos até eles dizer quais são nossas reivindicações”.

Em uma intervenção, o músico Carlos Freitas – mais conhecido como Carlinhos Zens – destacou ainda o despreparo dos gestores. “Acompanhei os candidatos ao Governo falando sobre cultura, e nem eles sabem ao certo o que dizer. A gente fica assustado: esse pessoal acha que cultura é artesanato”, criticou.

Outra das reclamações dos artistas presentes era de que, sempre que era tentado um canal de conversa com as autoridades, eles eram vistos como adversários por discordar de pontos defendidos pelos governantes. “Temos também que ir às ruas, senão vamos continuar chamando a atenção sempre das mesmas pessoas, e nada vai mudar”, completou.

Já Anderson Leão, diretor da Companhia Gira Dança, ressaltou a ausência de políticas específicas para dança, como também a politicagem que acontece no Rio Grande do Norte, sobretudo quanto à gestão cultural. “Passam-se os anos e são as mesmas pessoas nos mesmos cargos. Para conseguir um espaço na Fundação José Augusto, tem que ser na base da amizade. É uma ‘política de amiguinhos’”.

Segundo ele, uma solução para o problema seria a criação urgente de uma Secretaria Estadual de Cultura. Atualmente, ela existe acoplada à Secretaria de Educação (Secretaria Estadual de Educação e Cultura – Seec), mas não tem qualquer ação voltada para as atividades artísticas. Enquanto isso, a classe apela para a Fundação José Augusto, que convive com sérios problemas estruturais e financeiros.

Isto, de fato, é um problema, de acordo com a produtora cultural Tatiana Fernandes – que compôs a mesa de apresentações do debate. Ela explicou que, em 2008, foram captados R$ 4 milhões de renúncia fiscal pela Lei Câmara Cascudo, de incentivo à cultura. A quantia foi utilizada para beneficiar 16 projetos, dos quais 13 eram de Natal. Dos grupos contemplados, no entanto, apenas três eram captadores de recursos.

A autonomia dos grupos artísticos, para o jornalista Alex de Souza, deve ir além da simples obtenção de recursos financeiros. Em dado momento, ele defendeu a criação de um mercado de circulação alternativa para os projetos desenvolvidas pela classe.

Para esta rede informal de comunicação, estariam convocados todos aqueles interessados em divulgar arte. Neste ponto, qualquer iniciativa seria bem vinda – rede de blogs, rádios comunitárias, vídeos postados no Youtube, podcasts para internet... Para o jornalista, os artistas não podem esperar pela boa vontade dos meios de comunicação tradicionais, até porque, conforme declarou, a crítica jornalística ainda é inconsistente na cidade.

A também jornalista e atriz Ramila Souza, membro do Núcleo Jovens Artistas (que organizou, junto com a revista eletrônica Catorze, o primeiro debate exclusivo sobre cultura com os candidatos ao Governo), destacou a necessidade de incremento da qualidade artística e da crítica. De acordo com ela, ambas estão intimamente relacionadas.

Quem também relacionou o próprio fazer cultural com tema à primeira vista distante foi o filósofo Pablo Capistrano, também integrante da mesa. Para ele, pensar cultura requer uma reflexão acerca da cidade, do cenário urbano que se transforma. Ele diz que a cultura aparece como uma expressão em meio à reconfiguração geopolítica.

Em duas décadas, disse, estaríamos diante do “natalense típico”, que ainda não está totalmente definido. Especialmente com a vinda crescente de estrangeiros, a cidade deve sofrer alterações de ordem estrutural e política. Nas artes, ainda, o potiguar tende a valorizar mais o que vem de fora do que as expressões populares. Na elaboração de políticas públicas para o setor, todo este contexto deve, então, ser considerado.

Atividades

Além do debate promovido pela manhã, a programação do Grupo Locau segue durante o turno da tarde. Até as 16h, os artistas se reúnem em plenária para definir “12 diretrizes para a área cultural”, também no IFRN da Rio Branco. Depois disso, eles realizam manifestação na Praça Padre João Maria, na Cidade Alta, Centro, até as 18h. Na ocasião, eles vão distribuir carta tratando da questão ao “respeitável público” que transitar pelo local.

# Download da Carta com Diretrizes para a Área Cultural Potiguar

* Fonte: Nominuto.com - 20/set/2010, por Melina França

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